Atenção: hoje há “grande greve” da função pública e estes vão ser os serviços mais afetados

Portugal enfrenta hoje uma das maiores paralisações dos últimos anos, com greves que prometem causar perturbações significativas em escolas, hospitais, serviços públicos, autarquias e recolha de lixo. A paralisação, convocada pela Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, coincide com a greve nacional dos médicos da FNAM, ampliando o impacto no setor da saúde e estendendo os efeitos a praticamente todos os serviços essenciais.

Pedro Zagacho Gonçalves

Portugal enfrenta hoje uma das maiores paralisações dos últimos anos, com greves que prometem causar perturbações significativas em escolas, hospitais, serviços públicos, autarquias e recolha de lixo. A paralisação, convocada pela Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, coincide com a greve nacional dos médicos da FNAM, ampliando o impacto no setor da saúde e estendendo os efeitos a praticamente todos os serviços essenciais.

A Frente Comum adiantou à Executive Digest que tem “expectativas altas” para a adesão e alertou para a “paralisação de serviços em vários setores”, nomeadamente “nos serviços centrais da administração pública, e tudo o que implicar atendimento ao público”, como os balcões das Finanças, da Segurança Social ou as Lojas do Cidadão. A estrutura sindical prevê também fortes perturbações na saúde, onde “os efeitos deverão ser agravados pela greve dos médicos convocada pela FNAM”, o que poderá levar ao cancelamento de consultas, exames e até cirurgias, afetando hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e centros de saúde de norte a sul do país. “Muitos estabelecimentos poderão estar encerrados em todo o país”, acrescentou ainda a Frente Comum, que sublinhou a adesão da Federação Nacional dos Professores (FENPROF) à paralisação, prometendo um impacto adicional no setor da educação.

Escolas encerradas e serviços educativos limitados
Depois da greve do pessoal não docente que começou na quinta-feira, e que já levou ao encerramento de várias escolas, o setor da educação enfrenta hoje uma nova vaga de perturbações. Com a adesão dos professores e educadores, muitos agrupamentos escolares avisaram que não conseguem garantir o normal funcionamento das aulas. O protesto pretende denunciar a falta de recursos humanos e as más condições de trabalho, fatores que a Frente Comum considera “insustentáveis” para o funcionamento do ensino público. Em muitas localidades, é expectável que os estabelecimentos mantenham as portas fechadas durante todo o dia.

Saúde sob forte pressão com greve da FNAM
A greve nacional dos médicos, convocada pela Federação Nacional dos Médicos (FNAM), agrava ainda mais as dificuldades no setor da saúde. A FNAM acusa o Ministério da Saúde de impor mobilizações “coercivas e ilegais” de profissionais para serviços de urgência regionais, o que, segundo o sindicato, viola acordos coletivos de trabalho e poderá causar o encerramento de serviços essenciais, incluindo obstetrícia e ginecologia. A federação garante que “os médicos abrangidos pelos acordos coletivos não podem ser forçados a trabalhar fora do seu local de exercício” e denuncia “a imposição em vez do diálogo” por parte da tutela.

No sul do país, o Ministério da Saúde planeia concentrar urgências de obstetrícia em Almada devido à falta de médicos, medida que o sindicato considera baseada “exclusivamente em índices de produtividade”, sem qualquer valorização salarial ou progressão de carreira. Em todo o SNS, prevê-se que consultas, exames e cirurgias sejam adiados, com apenas os serviços mínimos garantidos.

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Administração pública e autarquias com funcionamento reduzido
A greve geral da função pública, que abrange 29 sindicatos, deverá ter forte adesão nos serviços centrais e locais. A Frente Comum estima que a paralisação vá afetar “todos os setores da administração pública, incluindo escolas, hospitais, tribunais, autarquias e cultura”.

Segundo Sebastião Santana, coordenador da Frente Comum, “vai ser uma grande greve e vai obrigar o Governo, se tiver bom senso, a perceber que está a comprar conflito social e que não vai parar porque os trabalhadores exigem políticas diferentes”. O dirigente prevê o fecho de muitos serviços e uma adesão expressiva em câmaras municipais e organismos locais.

Finanças, Segurança Social e justiça praticamente paralisadas
Os serviços de atendimento ao público — como Finanças, Segurança Social e Lojas do Cidadão — deverão ser dos mais afetados. A Frente Comum alertou que “tudo o que implicar atendimento ao público” enfrentará grandes constrangimentos. Também a Associação Sindical dos Profissionais da Inspeção Tributária e Aduaneira (APIT) anunciou a adesão dos inspetores do fisco, afirmando que o Orçamento do Estado para 2026 “não promove qualquer recuperação efetiva do poder de compra” e mantém os trabalhadores numa “situação de profundo descontentamento”.

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A APIT critica ainda o sistema de avaliação de desempenho (SIADAP), que considera “injusto e desmotivador”, e denuncia a falta de recursos humanos na Autoridade Tributária, que opera com “menos 14% de efetivos do que há dez anos”.

Lixo por recolher e perturbações nos serviços municipais
Nos serviços municipais e nas autarquias, prevê-se forte impacto, sobretudo na recolha de lixo e limpeza urbana. O STML e o STAL, ambos integrados na Frente Comum, convocaram os trabalhadores municipais a aderirem à greve, o que deverá afetar cidades como Lisboa, Porto, Coimbra e Setúbal. Os serviços de manutenção, atendimento público e transporte de resíduos poderão ficar suspensos durante todo o dia. As autarquias alertam para possíveis acumulações de lixo a partir da noite de quinta-feira.

Reivindicações salariais e críticas ao Orçamento do Estado
A Frente Comum mantém a paralisação como forma de protesto contra a proposta do Orçamento do Estado para 2026, que prevê aumentos de apenas cerca de 2%, equivalentes a 56 euros mensais. Os sindicatos exigem um aumento mínimo de 150 euros e a atualização do subsídio de alimentação para 12 euros por dia. Sebastião Santana considera que há “toda a margem para acomodar o aumento salarial de 15% exigido, se forem alteradas as prioridades políticas do Governo”.

O sindicalista critica também o aumento do orçamento para a defesa, afirmando que “faz crer que estamos hoje em Portugal com mais problemas de segurança do que de saúde, o que não é verdade”. E deixa um aviso: “São 760 mil pessoas que são trabalhadores da administração pública, têm um peso muito grande na sociedade portuguesa. Se o Governo não tem isto em atenção trata-se de uma miopia muito grave.”

Com escolas encerradas, consultas adiadas, lixo acumulado e serviços públicos condicionados, esta sexta-feira promete ser um dia de grandes constrangimentos para os cidadãos. A Frente Comum afirma que a greve é apenas “um primeiro sinal de alerta” e que poderá intensificar a luta se o Governo não apresentar respostas concretas.

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