Uma onda de calor surpreendente tem varrido a América do Sul, em particular no Brasil, cujas temperaturas ferozes têm provocado o ‘bom humor’ canarinho. “Até Lucífer estava a usar uma ventoinha. Ele também não aguentou o calor”, escreveu esta quarta-feira o jornal britânico ‘The Guardian’.
O bairro do Irajá, no norte do Rio de Janeiro, está longe de ser o único canto do Brasil que sofre sob temperaturas implacáveis e fora de estação – acabados de sair do inverno mais quente desde 1961, o início da primavera trouxe uma onda de calor impiedosa. Em alguns locais do Brasil estão bem acima dos 40°C, o que permitiu aos órgãos de comunicação social brasileiros compararem com outros pontos críticos globais, incluindo o Iraque, o Irão, a Arábia Saudita e até mesmo Dallol, na Etiópia, o lugar habitado mais quente do mundo.
Na cidade de São Romão, em Minas Gerais, as temperaturas atingiram 43°C na passada segunda-feira – “apenas dois graus a menos do que no deserto do Saara”, noticiou um jornal local. Uma semana antes, os moradores de Irajá suportaram temperaturas de 41°C – “mais altas do que o Vale da Morte, na Califórnia”
Até mesmo São Paulo está sob calor sufocante, com temperaturas a atingirem os 36,5° no passado domingo – o sexto dia mais quente desde 1943.
Mas não é só o Brasil a sofrer com uma primavera incomum: no vizinho Paraguai, a cidade rural de Filadelfia registou 44,4°C e, no Peru, os termómetros subiram aos 40,3°C no posto avançado amazónico de Puerto Esperanza.
De acordo com a climatologista Karina Bruno Lima, a sucessão de temperaturas recordes foi incomum e “extremamente preocupante”, que se segue a um período de calor semelhante em agosto – pouco depois do mês mais quente de que há registo no mundo – durante o inverno do hemisfério sul.













