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Até 280 mil portugueses estão infectados e não sabem

140 mil a 280 mil. É este o número de portugueses que poderão estar infectados com o novo coronavírus e não fazerem ideia. «Os casos diagnosticados são a ponta do icebergue», diz Henrique Veiga-Fernandes, investigador em imunologia da Fundação Champalimaud, ao jornal Expresso.

Estudos internacionais indicam que existem cinco a dez vezes mais assintomáticos do que casos confirmados, o que faria com que Portugal tivesse, até quinta-feira desta semana, até mais 280 mil portugueses com COVID-19 que nunca deram conta de que estavam ou estam infectados. Quanto a casos diagonosticados, os dados mais recentes dão conta de 28.319 pessoas, juntando-se ainda 26.082 com manifestações ligeiras.

«É positivo ter uma larga percentagem de pessoas infectadas sem sintomas mas há um aspecto negativo: uma taxa de replicação elevada que levou à disseminação tão acentuada do vírus por todos os continentes», explica ainda Henrique Veiga-Fernandes. Isto porque é na fase sem sintomas que o contágio é mais preocupantes.

Citado pela mesma publicação, o pneumologista e consultor da Direcção-Geral da Saúde (DGS), Filipe Froes, sublinha que o maior período de contágio acontece antes do início dos sintomas. E os estudos serológicos realizados pela Fundação Champalimaud no Algarve e nos Hospitais de Santo António, no Porto, e de Santa Maria, em Lisboa, vêm confirmar a ideia de que a maioria das pessoas infectadas não tem manifestações: as análises de diagnóstico revelaram taxas de infecção muito superiores ao que era conhecido.

Falta, porém, perceber quais serão as características de quem tem a chamada “infecção invisível”, ou seja, sem sintomas. Filipe Froes adianta algumas hipóteses, mas sem certezas: exposição a menor carga viral, idade inferior a 30 anos ou ausência de outras doenças. Contudo, tendo em conta que existem assintomáticos em lares e muitos idosos sem qualquer sintoma, o perfil traçado não será exacto.

Quanto ao sistema imunitário, que tem sido muito falado por estes dias em associação ao COVID-19, a infecciologista do Hospital de São João, Margarida Tavares, explica que «a doença é a resposta imune, sinais de que o sistema está a reagir ao vírus. Portanto, a ausência de sintomas pode revelar um sistema imune não competente, que não responde».

O consultor da DGS Filipe Froes vinca ainda que «Portugal tem uma infecção com uma expressão menor, pelo que a imunidade de grupo também o será», face a outros países. França e Espanha já concluí­ram o primeiro estudo serológico e a imunidade foi de 4,4% e 5%, respectivamente. De acordo com o Expresso, valores muito abaixo dos 25% ou 65% que se julga necessários para a protecção de grupo.

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