Atacante do Centro Ismaili estava sob ameaça dos talibãs para regressar ao Afeganistão, revela líder da comunidade em Portugal

“Os familiares que ficaram no Afeganistão estão a ser pressionados e ameaçados pelos talibãs”, referiu Omed Taheri, líder do comunidade afegã no país

Francisco Laranjeira
Março 29, 2023
17:36

Abdul Bashir estava a ser ameaçado pelos talibãs para regressar ao Afeganistão, denunciou esta quarta-feira Omed Taheri, presidente da Associação da Comunidade Afegã em Portugal. “Ameaçaram a família dele que está no Afeganistão para o obrigar a voltar”, relatou o responsável, em declarações à rádio ‘Renascença’.

O afegão, de 29 anos, que matou esta terça-feira duas mulheres no Centro Ismaili, em Lisboa, estava sob ameaça, uma situação, aliás, que está a acontecer com muitos elementos da comunidade, alertou o responsável. “E claro que ninguém quer voltar. Os talibãs ameaçam dia após dia e, cada vez mais, as famílias que saíram do Afeganistão para a Europa. Quem diz para Portugal, diz para a Alemanha, e para qualquer outro país. Os familiares que ficaram no Afeganistão estão a ser pressionados e ameaçados pelos talibãs”, referiu.

A pressão dos talibãs é terrível, frisou Omed Taheri. “Entram na casa de uma pessoa e começam a bater-lhes. Dizem-lhes que são obrigados a chamar as famílias de volta para o Afeganistão”, relatou, sublinhando que o mesmo tem acontecido com vários afegãos a redirir em Portugal. A associação a que preside, garantiu, está a dar apoio a todos os que são coagidos para reforçar a sua segurança.

Os afegãos foram apanhados de surpresa pelo ataque, garantiu Taheri. “Foi um choque muito grande e não sabíamos se era verdade ou não”, referiu, salientando que a comunidade ficou “triste” porque “quando saímos de um país com guerra, estamos à procura de um país com paz para podermos fazer a nossa vida em tranquilidade”.

“Ninguém nunca iria pensar que uma pessoa que era um engenheiro, de um momento para o outro levasse uma faca para um centro religioso e quisesse matar alguém”, salientou o líder dos afegãos em Portugal, que teme as consequências do ataque para a comunidade. “O que está a acontecer, neste momento, está a levar os portugueses a pensarem mal de todos os afegãos, mas não podemos pensar desse modo”, lembrou. “Se uma pessoa faz um erro, não podemos culpar a comunidade toda. Quando o Pedro Dias andou a matar pessoas, não dizíamos que os portugueses eram todos culpados e eram todos iguais. Da mesma forma que agora não podem culpar todos os afegãos.”

A comunidade afegã em Portugal quer adaptar-se à cultura local, o que está a acontecer em 99% dos casos. “O 1% é o de Abdul Bashir. A comunidade afegão está disponível para dar toda a ajuda que o Estado português precisar”, sublinhou.

Esta manhã, a Associação da Comunidade Afegã em Portugal pediu que Abdul Bashir seja condenado à pena máxima em Portugal – 25 anos de prisão. “Solicitamos ao sistema do Governo português que considere a pena máxima para o agressor com base nas leis e nos regulamentos judiciais do país”, defendeu a associação, sustentando ter “confiança” nos tribunais portugueses.

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