Associações de táxis contestam novo regulamento tarifário por “matar o setor”

As associações representativas dos táxis contestam o novo regulamento do tarifário, publicado na terça-feira, que estabelece uma bandeirada mais baixa e tarifas variáveis, considerando que vai “matar o setor” e também não serve “o interesse do passageiro”.

Executive Digest com Lusa

As associações representativas dos táxis contestam o novo regulamento do tarifário, publicado na terça-feira, que estabelece uma bandeirada mais baixa e tarifas variáveis, considerando que vai “matar o setor” e também não serve “o interesse do passageiro”.


“Não estamos nada de acordo [com o regulamento], isto vai matar o setor. Vamos pedir uma reunião urgente à AMT [Autoridade da Mobilidade e dos Transportes] e uma assembleia-geral a nível nacional e o setor que decida o que é que quer fazer”, adiantou à Lusa o presidente da Associação Nacional dos Transportes Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL), Florêncio de Almeida.


O presidente da Federação Portuguesa do Táxi (FPT), Carlos Silva, também disse não concordar com o novo regulamento para a simplificação do tarifário dos táxis, pois “tecnicamente não se adequa e tem divergências que são inultrapassáveis”.


“Há questões que não salvaguardam nem o interesse do passageiro, nem o interesse do táxi”, acrescentou.


Nesse sentido, a ANTRAL e a FPT vão reunir-se para acertar as medidas a tomar “em defesa do interesse público e das empresas” do setor, na sequência da publicação, na terça-feira, em Diário da República, do regulamento que estabelece as novas regras gerais de formação dos preços no serviço público de transporte de passageiros em táxi.

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Em comunicado, as duas organizações representativas do setor do táxi qualificaram como “inesperada e inaceitável” a publicação do regulamento, considerando os seus “graves efeitos” em “desarticulação com as propostas que apresentou à AMT” desde 2024.


Remetendo uma apreciação mais concreta para depois do encontro com a FPT, Florêncio de Almeida considerou que o novo regulamento “é um mau serviço que se está a prestar ao público”, que “vai ficar sem transporte”, pois numa deslocação para percursos mais longos deixa de se poder cobrar o retorno.


“Há gente neste país que está mais interessada em matar o setor do táxi do que em resolver os problemas da população”, apontou, lamentando que a tutela prefira “resolver o problema das grandes multinacionais que levam o dinheiro” para fora do país e defendendo que os táxis “não podem ser equiparados a TVDE”.

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Por seu lado, Carlos Silva, sem concretizar os motivos da contestação, que remeteu também para depois da reunião com a ANTRAL, considerou que o novo regulamento “está mal concebido” e “tecnicamente está mal redigido”, nomeadamente em relação ao valor máximo face às tarifas atuais.


A AMT, em comunicado, salientou que, “uma vez que o novo modelo tarifário poderia implicar aumentos tarifários significativos, foi definido um período transitório e um limite máximo de aumento de 9% no primeiro ano de aplicação (2026), que estará sujeito a monitorização próxima no sentido de avaliar a sua aplicação e impactos”.


O novo regulamento com as regras gerais de formação dos preços em função dos tipos de serviço, da autoria do regulador após consulta pública, entra em vigor 10 dias após a publicação (19 de junho) e surge depois do novo regime jurídico do transporte de passageiros em táxi (decreto-lei 101/2023) aplicável a todo o território nacional desde 01 de novembro de 2023.


Após a entrada em vigor, os operadores dispõem de um prazo máximo de 70 dias para adaptar os taxímetros ao novo tarifário, ou seja, até 28 de agosto.


A AMT considerou que o regulamento “visa assegurar um equilíbrio entre a sustentabilidade económica do setor táxi e a acessibilidade económica para os utilizadores, promovendo simultaneamente a modernização, transparência e equidade no sistema tarifário”.

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O novo modelo tarifário introduz um novo sistema de cálculo que mantém a bandeirada a um preço inferior ao atual, mas à qual acresce a aplicação simultânea de valores consoante o tempo e a distância de toda a viagem.


Prevê também a criação de um tarifário que considera que nos dias feriados e datas festivas existe “um agravamento do preço por tempo de viagem”, além de tarifas sazonais, nas regiões com forte atração turística.


Os tarifários terão uma diferenciação consoante a capacidade dos veículos, reconhecendo custos mais elevados em táxis com maior capacidade.

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