A associação SNAP (‘Survivors Network of those Abused by Priests’) denunciou esta terça-feira alguns dos mais proeminentes cardeais da Igreja Católica – incluindo dois apontados como papabili, ou seja, mais bem posicionados para suceder ao Papa Francisco – de terem ocultado casos de abuso sexual de menores.
De acordo com a mais antiga associação internacional de vítimas de abusos sexuais, entre os acusados estão os cardeais Péter Erdo (arcebispo de Budapeste, na Hungria) e Luis Antonio Tagle (filipino que é pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização e apontado como “Francisco asiático”), ambos apontados como fortes hipóteses de atingirem o topo da Igreja Católica.
O americano Kevin Farrell, camerlengo e prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida; o argentino Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, compatriota de Francisco e um dos mais importantes conselheiros teológicos do Papa; o maltês Mario Grech, secretário-geral do Sínodo dos Bispos e figura-chave no sínodo sobre a sinodalidade; o americano Robert Francis Prevost, prefeito do Dicastério para os Bispos. Dois deles – Fernández e Prevost – têm responsabilidades diretas na gestão de casos de abusos de menores.
Os cardeais não são acusados de terem cometido abusos sexuais contra menores, mas, segundo a ‘SNAP’, com base em diferentes casos e testemunhos de vítimas, foram enviadas seis denúncias para o cardeal secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, e para os líderes de vários dicastérios da Cúria Romana.
“Os sobreviventes fizeram o trabalho que os líderes da Igreja se recusam a fazer”, acusou, em Roma, o presidente da associação SNAP, Shaun Dougherty. “Compilámos todas as provas, seguimos os procedimentos do Vaticano e dissemos os nomes. Se o Papa Francisco está a falar a sério em relação à sua abordagem de ‘tolerância zero’, nomeará um investigador verdadeiramente independente e abrirá os arquivos dos abusos a essa pessoa, como disse que faria em 2019.”
Peter Isely, responsável do ‘SNAP’, salientou que os sobreviventes não podem “ignorar a trágica realidade” de que muitos dos cardeais nomeados por Francisco sejam “homens que encobriram abusos”. “Agora, alguns destes homens estão a ser considerados como candidatos a próximo Papa”, apontou o americano. A associação divulgou publicamente as seis cartas, com as denúncias concretas sobre os seis cardeais visados.









