As várias faces da procura de escritórios em 2022

Por Carolina Villax, Senior Consultant – Tenant Rep JLL

Como comprovam os níveis de procura registados neste início de ano, o mercado de escritórios português parece ter recuperado o seu dinamismo e mostra-nos uma boa vitalidade que deverá continuar ao longo dos próximos meses.

No fecho do primeiro trimestre, o nosso departamento de leasing conta com uma procura incisiva de escritórios perto dos 120.000m2, que se distribuem maioritariamente entre call centres, serviços partilhados, financeiras, tecnológicas e co-working.

Do lado das empresas, é evidente uma forte vontade de finalmente tomar novas decisões quanto aos seus espaços de trabalho, e ocupar aquelas mesas que tinham acabado por ficar on-hold ao longo dos últimos dois anos. Um fenómeno que hoje se reflete numa procura robusta e com um vigor acrescido, como não era observado desde o pré-pandemia.

Não obstante, é também evidente a existência de dois fluxos distintos desta nova procura que está a dinamizar e a liderar a retoma do mercado português de escritórios neste novo ciclo pós-pandémico, o que, evidentemente, tem também reflexos no tipo de produto pretendido e na natureza dos contratos celebrados.

Por um lado, temos uma procura liderada pelas empresas de maior dimensão e com posições mais consolidadas no mercado, como as grandes multinacionais, que querem trazer os seus colaboradores de volta ao escritório físico e que, assim, investem naquele espaço não só para o tornar mais acolhedor e também, claro, para o adaptar às novas formas de trabalho.

Do outro lado, temos uma procura impulsionada por empresas que acabam de chegar ao nosso país e que têm urgência na contratação dos seus primeiros escritórios, com vista a uma instalação rápida e, de preferência, com custos menores de implantação. Note-se, contudo, que na maioria das vezes este é um espaço que é logo arrendado com uma perspetiva temporária, uma vez que o objetivo é, precisamente, dar o pontapé de saída à instalação da atividade no nosso país e, a partir daí, partirem à procura daquelas que serão as suas instalações permanentes e para as quais têm requisitos bem mais exigentes.

Contudo, à parte das motivações de cada uma destas franjas da procura, há algo transversal às empresas que querem espaços de escritórios neste novo ciclo do mercado: a flexibilidade. Para além do reconhecimento de que o espaço físico do escritório potencia o negócio, ao facilitar a colaboração entre equipas, sentimos também que predomina algum cansaço das empresas e dos seus colaboradores em relação ao teletrabalho, havendo uma saudade real das pessoas em retomar as idas ao escritório, de sair de casa e voltar às suas rotinas. Assim, pela sua versatilidade e pela flexibilidade que oferece, um modelo de ocupação híbrida começa agora a ser predominante.

Esta flexibilidade, que permite um equilíbrio maior entre a vida pessoal e profissional, acabou também por potenciar a implementação de novas formas de trabalho no escritório, através da criação de novos espaços colaborativos e zonas sociais que muitas das vezes encaixam no layout através da redução das áreas de trabalho em open space.

De certa forma, estes escritórios do futuro vêm competir com o conforto das nossas casas, transformando-se em espaços tão convidativos, confortáveis e focados no bem-estar, que serão essenciais não só para atrair e reter talento, mas que funcionarão também como uma “arma” para levar esse talento à morada física da empresa.

No entanto, não só de novas procuras e grandes investimentos vivem as empresas pois muitos grupos internacionais começam a exigir estratégias de redução de custos, o que por muitas vezes passa pela redução de área do espaço do escritório.

Neste cenário, têm também chegado ao mercado novas opções num formato de subarrendamento – hoje encarado como uma boa oportunidade para aquelas empresas que procuram bons espaços, mas com pouco investimento. Falamos, pois, de produto em boas condições, com qualidade, em zonas prime e na maioria, pronto a ocupar; comumente conhecido como “tenant supply”. Pelas contas da JLL, desde o início da pandemia já entrou no mercado lisboeta cerca de 16.000 m² deste tipo de stock, dos quais 58% já foram ocupados.

Ainda no caminho das políticas corporativas internacionais de racionalização de custos, estão também a surgir novas empresas no nosso país que procuram rendas mais competitivas do que as praticadas noutras capitais europeias, algo que o nosso país consegue realmente oferecer. Muitas das vezes são empresas ligadas ao setor da tecnologia e que que antes de escolher a zona de Lisboa e escritório permanente onde ficar, preferem primeiro instalar-se temporariamente – por períodos de 6 a 12 meses – num espaço co-work, estando a impulsionar a atividade também neste formato.

Juntando a confiança da atividade dos próximos 3 trimestres aos 64.000 m2 já transacionados entre janeiro e março de 2022, acredita-se que o fecho do ano atinja um volume superior aos dois últimos anos e provavelmente, similar ao período pré-Covid.

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