O Banco Central Europeu (BCE) está a preparar-se para uma nova redução das taxas de juro, algo que pode acontecer já hoje. Espera-se assim um novo corte, após uma redução significativa no ano passado e um corte de 0,25% na última reunião de janeiro.
Este movimento do BCE ocorre numa altura particularmente delicada para a Europa, que enfrenta uma combinação de desafios económicos e políticos. Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, ameaçou recentemente impor tarifas de 25% sobre as importações da União Europeia (UE), o que gerou temores de um possível abrandamento económico adicional. Esta ameaça, juntamente com o aumento das tarifas sobre o Canadá, México e China, coloca pressão sobre as economias da Zona Euro, particularmente a Alemanha e a França, que já enfrentaram uma contração económica no último trimestre de 2024.
No contexto económico, a inflação na zona euro subiu para 2,5% em janeiro, impulsionada pela procura de energia devido ao tempo frio. No entanto, espera-se que o Índice de Preços no Consumidor (IPC) de fevereiro revele uma ligeira desaceleração, com a inflação anual a diminuir para 2,3%, o que poderá reforçar os argumentos para uma nova redução das taxas de juro por parte do BCE.
“Outro corte de 25 pontos base é quase certo, e a principal incógnita é até que ponto o banco central estará disposto a reduzir as taxas, dada a inflação persistentemente elevada”, referem os analistas da Ebury.
Por sua vez, os analistas da XTB também acreditam que, durante a reunião, o BCE deverá anunciar uma descida da taxa de juro, de 2,75% para 2,50%. No entanto, sublinham que poderá optar por uma abordagem cautelosa, tendo em conta a estagnação económica e as pressões inflacionistas que ainda persistem, particularmente nos setores da energia e dos serviços.
“Os membros do BCE salientaram a necessidade de monitorizar os dados económicos antes de confirmarem novos cortes. Embora a inflação tenha abrandado, continua acima do objetivo de 2%, o que é motivo de preocupação. O cenário económico na zona euro apresenta sinais contraditórios: o setor dos serviços mostra resiliência, o setor industrial debate-se com dificuldades e os consumidores mostram-se hesitantes. Além disso, o aumento das despesas com a defesa na Alemanha, pode influenciar a política monetária do BCE”, explicam.
Os especialistas da XTB consideram ainda que, na conferência, espera-se que a presidente do BCE, Christine Lagarde, mencione a trajetória futura da política monetária, uma postura mais cautelosa poderá reduzir as expectativas de cortes mais significativos ao longo de 2025.
“Assim, a reunião de amanhã poderá resultar numa redução da taxa de juro de 0,25%, com discussões sobre a política monetária e o controlo da inflação. A situação política e geopolítica influenciará as previsões a longo prazo, tornando as próximas semanas decisivas para a orientação da política monetária do BCE”, acrescentam.
Ricardo Evangelista, CEO da ActiveTrades Europe, explica que se espera que o BCE anuncie um corte nas taxas de juro de 0,25%. “Esta decisão justifica-se pela contínua descida da inflação e pela necessidade de estimular o crescimento económico na zona euro. No entanto, é provável que este seja o último corte consensual por parte do conselho governativo do BCE num futuro próximo. Preveem-se tempos complicados, com o espectro uma guerra comercial instigada pelas tarifas de Trump a ameaçar o futuro das exportações europeias e uma crescente imprevisibilidade do papel dos EUA na defesa coletiva da Europa. Estes fatores estão a pressionar no sentido de um relaxamento das regras orçamentais, de forma a permitir aos estados membros aumentarem as despesas com a defesa. Este cenário levanta muitas incógnitas sobre a postura que o BCE poderá adotar nos próximos trimestres. Por um lado, o banco deverá continuar a estimular a atividade económica, com novos cortes nas taxas de juro. Por outro, o aumento das despesas públicas em áreas como a defesa e as infraestruturas, aliado ao possível impacto de uma guerra comercial, que se provavelmente se refletirá em subidas de preços, exige prudência.”
“O que virá a seguir, no entanto, não é tão claro. Acreditamos que é demasiado cedo para o banco estar a considerar uma pausa e os mercados estarão à procura de sinais de que este é realmente o caso”, acrescentam os especialistas da Ebury olhando para o futuro.
Ricardo Evengelista também acredita que “o mais provável é que o BCE continue a cortar as taxas de juro, mas a um ritmo mais lento do que o previsto até há pouco tempo. Espera-se que, após o corte de 25 pontos base em março, o banco central repita a dose pelo menos mais duas vezes até ao fim do ano, mantendo-se a dúvida sobre se tal acontecerá já em abril ou não”.
A presidente do BCE, Christine Lagarde, tem afirmado que a inflação está a evoluir na direção certa, embora tenha alertado que a economia da Zona Euro deverá continuar a ser fraca a curto prazo. As tarifas adicionais de Trump aumentam a incerteza económica, e a economia europeia poderá precisar de mais estímulos para evitar um prolongado período de estagnação.







