O Banco Central Europeu (BCE) terminou o ano de 2024 com mais uma descida das taxas de juro. Na sua reunião de política monetária de dezembro, o executivo liderado por Christine Lagarde anunciou uma nova descida de 25 pontos-base. E para a primeira reunião de 2025?
Após a última reunião de política monetário do ano, as taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de depósito, às operações principais de refinanciamento e à facilidade permanente de cedência de liquidez foram reduzidas para, respetivamente, 3,00%, 3,15% e 3,40%.
Hoje, o executivo volta a sentar-se à mesa, e o mercado está a antecipar com um grau de certeza bastante elevado que o BCE opte por baixar os juros nesta reunião.
Os dados macroeconómicos apontam para melhorias na produção (PMI serviços e industrial) na Alemanha e em França e os dados do desemprego continuam estáveis, fatores que impulsionaram algum otimismo nos mercados financeiros.
“Apesar desta certeza, o Banco Central deve optar por uma postura mais cautelosa e não anunciar um corte significativo. Segundo os últimos dados da inflação da Zona Euro, os preços estão a registar aumentos ligeiros nos últimos 3 meses. Esta tendência pode vir a ser agravada devido a vários fatores, como a volatilidade recentemente verificada nos preços da energia e a aplicação das tarifas anunciadas por Donald Trump”, explicam os analistas da XTB.
Acreditam ainda que “caso o BCE consiga responder bem a estas situações e caso a inflação não dispare significativamente, os investidores preveem que o Banco Central opte por mais cortes até junho, esperando um corte em 100 p.b. até ao final do ano.”
Ricardo Evangelista, CEO ActivTrades Europe, também prevê o mesmo cenário de um novo corte de 25 pontos-base na taxa de juro.
“Com a inflação na zona euro a aproximar-se do objetivo de 2% e o crescimento económico abaixo do ideal, especialmente em algumas das principais economias do bloco, a expectativa para 2025 é de que o BCE continue a reduzir as taxas de juro. Após um corte total de 1% em 2024, antecipa-se que o banco central mantenha esse ritmo este ano, com reduções de 0,25% por trimestre”.
No entanto, sublinha, “alguns especialistas preveem um quadro mais pessimista para a economia da zona euro, com os ventos contrários do protecionismo e da instabilidade geopolítica a pressionarem o BCE a adotar uma política ainda mais expansionista, levando a cortes totais de 1,5% ao longo de 2025”.
Roman Ziruk, analista de mercados da Ebury, partilha da mesma visão, e acredita que o BCE deverá anunciar um corte de 25 pontos base na taxa de juros, conforme amplamente antecipado pelos mercados. No entanto, sublinha, a verdadeira atenção recairá sobre as declarações que acompanharão a decisão, com os investidores e analistas atentos aos sinais sobre as prioridades da instituição e o ritmo de possíveis abrandamentos na política monetária futura.
O especialista recorda que, na reunião de dezembro, o BCE fez uma mudança na sua linguagem, adotando um tom mais dovish. A instituição deixou de mencionar a necessidade de manter uma política monetária restritiva, substituindo-a por um enfoque de abordagem dependente dos dados para determinar a “posição monetária apropriada”. Esse movimento é visto como um sinal claro de que a prioridade dos formuladores de políticas mudou de controlar a inflação, que está sob controlo, para apoiar a atividade económica na Zona Euro.
Embora um corte de 25 pontos base esteja praticamente certo, sem previsões económicas a serem publicadas este mês, os investidores estarão atentos ao tom adotado pelo BCE. A estabilidade dos preços continua a ser a principal prioridade, mas os recentes comentários de autoridades do BCE sugerem uma maior preocupação com o crescimento.
“A expectativa é de que o BCE continue sua política de cortes graduais, mas a duração e a intensidade dos mesmos dependem de dados económicos futuros e do cenário político global”, considera.




