As próximas tendências que prometem marcar o mundo das empresas

Opinião de Tom Soderstrome e Tom Godden, Enterprises Strategists at Amazon Web Services (AWS)

Executive Digest
Agosto 8, 2025
11:28

Por Tom Soderstrome e Tom Godden, Enterprises Strategists at Amazon Web Services (AWS)

O mundo corporativo está em constante transformação — isso já é sabido — impulsionado por um conjunto de tendências complexas e interligadas. Alterações climáticas, dinâmicas geopolíticas, preocupações crescentes com a soberania dos dados e a redefinição do conceito de local de trabalho são apenas alguns dos fatores que irão moldar ainda mais os negócios nos próximos anos. Com este contexto em mente, vale a pena refletir sobre algumas dessas tendências e o seu potencial impacto no crescimento, na redução de custos e na obtenção de vantagem competitiva.

Atualmente, as alterações climáticas afetam as operações das empresas a nível global, exigem novas abordagens para cadeias de abastecimento e planeamento estratégico, com base em riscos ambientais, acesso a energias renováveis e custos associados, como os dos seguros. Governos, como o dos EUA com o CHIPS Act, estão a aumentar os investimentos em infraestruturas, estações de dessalinização, baterias e extração de minerais. Esta aposta tecnológica estende-se também às equipas de resposta a desastres naturais e às agências de defesa, criando oportunidades de parceria público-privada. Além disso, é fundamental que os governos assumam a liderança, implementem sistemas de penalização por emissões de carbono e desenvam programas para medir os impactos regionais.

A sustentabilidade já é uma prioridade para as empresas, não apenas por responsabilidade social, mas também como estratégia de rentabilidade. Existem formas práticas e acessíveis de avançar nesse sentido, como a redução da pegada de carbono através da migração para a cloud. Segundo estudos da 451 Research e da Accenture, a infraestrutura da AWS, por exemplo, pode ser até quatro vezes mais eficiente em termos energéticos do que a média dos centros de dados empresariais nos EUA.

No plano geopolítico, os realinhamentos atuais representam simultaneamente riscos e oportunidades, exigindo das organizações maior segurança, resiliência e agilidade. A independência energética, o acesso a minerais estratégicos, o fornecimento de componentes para a produção de chips e a defesa ganham destaque nas agendas nacionais. Para se prepararem para ameaças futuras, organizações públicas e privadas podem investir em estratégias como a criptografia pós-quântica. Os computadores quânticos prometem ser ferramentas extremamente rápidas, e as redes quânticas podem garantir comunicações mais seguras e íntegras.

Com o aumento das preocupações em torno da soberania digital, torna-se essencial escolher parceiros tecnológicos que ofereçam flexibilidade na gestão de dados e cargas de trabalho. Soluções de cloud já disponíveis e desenhadas para esse fim permitem que as empresas cumpram regulamentações locais, mesmo ao operar em múltiplas jurisdições.

A tecnologia e o trabalho remoto estão a reformular a ideia de local de trabalho. Para aproveitar plenamente as possibilidades trazidas pela IA e automação, as equipas de IT precisam de aprofundar as suas competências em computação cloud. Ao mesmo tempo, é fundamental promover a literacia tecnológica, estimular a inovação e facilitar a colaboração com equipas técnicas. Empresas que testam e implementam novas tecnologias mais rapidamente conseguem lançar produtos e serviços antes da concorrência.

As indústrias estão a evoluir de formas imprevisíveis. A título de exemplo, o setor da saúde mudou significativamente após a pandemia: hoje, a telemedicina é uma realidade, com consultas por aplicações móveis. A realidade aumentada possibilita orientações cirúrgicas com sobreposições holográficas, e a robótica permite intervenções à distância. Com o envelhecimento da população, a bioengenharia e outros avanços médicos tendem a ganhar ainda mais importância.

A indústria espacial também está em rápida transformação. Um estudo do Fórum Económico Mundial estima que a economia espacial atinja os 1,8 biliões de dólares até 2035, face aos 630 mil milhões em 2023 — um crescimento anual de 9%, muito acima da média do PIB global. À medida que o interesse pelo espaço cresce, as barreiras à entrada de empresas comerciais diminuem. A Reuters, por exemplo, relata o aumento de startups no setor. As oportunidades comerciais vão desde a monitorização ambiental à deteção de minerais via satélite, enquanto projetos como os satélites da SpaceX e o Kuiper da Amazon prometem levar internet a zonas remotas.

Neste cenário de constante mudança, a capacidade de adaptação — sustentada por uma visão clara e uma liderança forte — será essencial para transformar tendências em oportunidades de sucesso.

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