As perspectivas dos líderes para 2026: Ana Trigo Morais, CEO da Sociedade Ponto Verde

Ana Trigo Morais, CEO da Sociedade Ponto Verde, dá a sua visão para o futuro

Executive Digest
Fevereiro 20, 2026
11:25

2026. Acima de tudo, transformação, num ano desafiante, mar­cado por imprevisibilidade e rápidas mudanças no cenário global e que exige dinamismo de todos. Neste ambiente, a confiança será uma ferramenta decisiva para permitir o progresso e a evolução de Portugal. Para compreender os principais desafios e metas que Portugal enfrentará nos próximos meses, a Executive Digest ouviu vários líderes de empresas e instituições nacionais.

Nesse sentido, ficaremos a conhecer o que a CEO da Sociedade Ponto Verde antecipa para um ano que exige, com responsabilidade, decisão, execução, equilíbrios delicados, optimismo e esperança (com cheiro a pólvora) e ambição colectiva.



  1. Quais os maiores desafios e alterações que o seu sector e empresa, em particular, pode enfrentar em 2026?
  2. Que impacto terá o actual quadro geopolítico no seu sector?
  3. Alguma oportunidade que a sua empresa/ sector não pode perder em 2026?
  4. Uma palavra que possa definir 2026.

O ano de 2026 será um teste à maturidade do setor da gestão de resíduos de embalagens e da economia circular. Entramos numa fase em que a ambição política e regulatória se tradu­zem em obrigações muito concretas, com impacto direto na competitividade das empresas, na organização dos sistemas e na confiança dos cidadãos. O principal desafio será acelerar a

transição para um modelo mais circular, reduzindo de forma consistente a dependência da deposição em aterro e assegurando resultados mensuráveis, tanto ambientais como económicos.

É neste contexto que a liderança da Sociedade Ponto Verde se torna ainda mais desafiante. O nosso papel passa por garantir o equilíbrio entre exigência regulatória, viabilidade económica e impacto real no terreno, num sistema que envolve produto­res, municípios, operadores e consumidores. A pressão sobre custos, a crescente complexidade legislativa e a necessidade de mudança de comportamentos exigem decisões informadas, investimento contínuo e capacidade de execução. Tornar a reciclagem de embalagens mais simples, eficiente e próxima das pessoas continuará a ser uma prioridade estratégica, assente na inovação, na literacia ambiental e na cooperação.

A esta complexidade soma-se um contexto geopolítico par­ticularmente instável. A volatilidade dos mercados, a pressão sobre matérias-primas e energia e a incerteza internacional tornaram evidente que a sustentabilidade deixou de ser apenas uma agenda ambiental. Hoje, trata-se de uma questão eco­nómica, industrial e estratégica. A economia circular oferece respostas concretas a este desafio, promovendo eficiência no uso de recursos, reduzindo dependências externas e contribuindo para sistemas mais resilientes. Por isso, para Portugal, alinhar política ambiental, competitividade e autonomia será deter­minante para um crescimento sustentável nos próximos anos.

Ainda assim, seria um erro olhar para 2026 apenas como um ano de constrangimentos. O setor tem uma oportunidade clara para se afirmar como um motor de confiança, inovação e coesão social. A colaboração ao longo da cadeia de valor, o envolvimento das novas gerações e o uso inteligente de dados e tecnologia podem acelerar mudanças estruturais que já estão em curso. A Sociedade Ponto Verde quer continuar a assumir um papel ativo nesta transformação, contribuindo para políticas públicas mais eficazes e para um compromisso coletivo mais sólido com a economia circular.

Se tivesse de resumir 2026 numa palavra, seria PAZ. A estabilidade necessária para tomar decisões de longo prazo, promover cooperação e construir soluções duradouras, capazes de conciliar desenvolvimento económico, responsabilidade ambiental e futuro.

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