As oportunidades que a pandemia trouxe. Bezos ganha 24 mil milhões em três meses

As ações do retalhista subiram 5,3%, para um recorde na terça-feira, elevando o património do fundador para 138,5 mil milhões de dólares.

Sónia Bexiga

Com os consumidores obrigados a ficar confinados em suas casas, tem vindo a aumentar a confiança que depositam na Amazon.com de Jeff Bezos. As ações do retalhista subiram 5,3%, para um recorde na terça-feira, elevando o património do fundador para 138,5 mil milhões de dólares.

A pandemia levou a economia global a quase um impasse e cerca de 17 milhões de americanos para as filas do desemprego no período de três semanas. O JPMorgan Chase & Wells Fargo deram nota, esta terça-feira, que as perdas com empréstimos causadas pela quebra no emprego sem precedentes – que muito afeta o setor do retalho e que a Amazon soube dar a volta com uma eficiência única – podem rivalizar com os desenvolvimentos dramáticos no pós crise financeira de 2008.

No entanto, Bezos e muitos de seus pares, no que à fortuna diz respeito, assistem a uma recuperação dos seus negócios nas últimas semanas, ajudados pelo impulso dado aos mercados por esforços sem precedentes de estímulo por parte de governos e bancos centrais. Embora o património líquido combinado das 500 pessoas mais ricas do mundo tenha caído 553 mil milhões de dólares este ano, subiu 20% em relação à queda registada a 23 de março, segundo o Bloomberg Billionaires Index.

Liderando o grupo dos que mais estão a ganhar está Bezos, que adicionou quase 24 mil milhões de dólares à sua fortuna em 2020, além de MacKenzie Bezos, que ficou com uma participação de 4% na Amazon como parte do recente acordo de divórcio do casal. Seu património líquido subiu de 8,2 mil milhões de dólares para 45,3 mil milhões, o que a torna o número 18 no ranking de riqueza da Bloomberg, à frente de Mukesh Ambani, a pessoa mais rica da Índia, e de Carlos Slim, do México.

“Com o que estamos a viver agora, a lacuna de riqueza só vai aumentar”, defende Matt Maley, analista-chefe de mercado da Miller Tabak + Co. “As pessoas realmente ricas não precisam de se preocupar. Sim, eles são menos ricos, mas continuam a não ter de se preocupar em pôr comida na mesa ou manter um teto sobre cabeça”, reforça.

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E não são apenas os bilionários a lucrar em tempos difíceis como os que vivemos. Os membros das administrações têm sido investidores significativos das ações das suas empresas, numa demonstração de confiança de que a crise passará.

O volume de transações nos setores mais afetados, de viagens a serviços de saúde e jogos, sugere que executivos e diretores estão mais otimistas agora do que noutros pontos da década passada, segundo a Sundial Capital Research.

Segundo o UBS Group, tem vindo a assistir a clientes ‘ultra-ricos’ aumentarem os seus empréstimos para apostar ainda mais naquilo que consideram um mercado barato. “Há mais clientes a procurar empréstimos garantidos por imóveis para ajudá-los a pagar outras dívidas, investir em negócios e adquirir outros ativos”, detalha o banco suíço.

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