Por Ricardo Marques, CEO-Adjunto iad Portugal
O mercado imobiliário vive um momento de transformação profunda e acreditar que os próximos anos serão apenas uma continuação do passado é ignorar a velocidade e a dimensão das mudanças em curso. O futuro próximo não será moldado por uma variável, mas por várias forças que atuam em simultâneo, e a primeira é inequívoca: a escassez de oferta veio para ficar. O desequilíbrio entre procura e oferta continuará a ser um dos principais motores do mercado. A procura mantém-se elevada, tanto por parte de compradores nacionais como internacionais, enquanto o produto disponível não acompanha esse ritmo. Este contexto reforça a importância de estratégia, do planeamento e de diferenciação. É preciso antecipar o mercado. Quem investir na qualificação, na especialização e na construção de relações sólidas estará mais bem preparado para enfrentar um contexto mais competitivo, mas também repleto de oportunidades.
Entre as maiores oportunidades destaca-se o mercado da Nova Construção, que ganha um peso estratégico impossível de ignorar. Representando já uma fatia relevante das transações e com incentivos fiscais a chegar para impulsionar o setor, abdicar deste segmento é abdicar de uma grande fatia do mercado. Compreender as especificidades deste tipo de cliente e de produto, exige adaptação, conhecimento técnico e capacidade de negociação diferenciada.
Outra mudança evidente é o perfil do cliente. A entrada em força como compradores da Geração Z, a primeira geração nativa digital, trouxe novas expectativas: comunicação rápida, preferência por formatos visuais e valorização do estilo de vida associado ao imóvel. Paralelamente, a mobilidade nacional e internacional continua a crescer, obrigando o consultor a estar cada vez mais preparado para diferentes culturas e diferentes idiomas.
Neste cenário, a tecnologia e a inteligência artificial deixam de ser uma vantagem competitiva, e passam a ser um requisito essencial. A IA não vem substituir o consultor, mas sim torná-lo mais produtivo, mais informado e mais eficiente. Automatizar processos, analisar dados, produzir conteúdos de forma ágil e libertar tempo para o que realmente importa, ou seja, a relação com o cliente, será decisivo.
Há também uma variável que começa a ganhar maior expressão: a pressão sobre custos e recursos. A falta de mão-de-obra no setor da construção, o aumento dos custos dos materiais e a exigência crescente ao nível da eficiência energética tornam os projetos mais complexos e menos flexíveis em termos de preço. Isto significa que o mercado tenderá a estabilizar, com margens mais ajustadas e decisões mais ponderadas. A expectativa de valorização contínua dá lugar a um cenário mais racional, onde a análise de mercado, a negociação estratégica e o aconselhamento especializado assumem um papel central.
Por fim, destaca-se um elemento transversal a todas as tendências: a força da marca pessoal. O cliente quer saber com quem está a trabalhar, que reputação tem, que conteúdos partilha, o posicionamento que assume. Hoje, a escolha já não é apenas sobre o imóvel, mas sobre a confiança depositada no consultor que acompanha todo o processo. Construir uma marca pessoal consistente, credível e visível é fundamental.
O mercado imobiliário que se aproxima não será necessariamente mais difícil, mas será seguramente mais exigente. Exigirá estratégia, agilidade, adaptação contínua e capacidade de antecipação. E teremos de nos adaptar a tal.




