As novas tecnologias energéticas vão-nos ajudar

Uma transição energética não se consegue fazer adequadamente sem o auxílio da tecnologia.

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Luís Gil
Luís GilMembro Conselheiro e Especialista em Energia da Ordem dos EngenheirosDezembro 18, 2025 11:10

Por Luís Gil, Membro Conselheiro e Especialista em Energia da Ordem dos Engenheiros

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Uma transição energética não se consegue fazer adequadamente sem o auxílio da tecnologia. O ser humano tem conseguido evoluir nos mais variados domínios, com alguns percalços, é certo, mas essa capacidade, que por vezes nos surpreende, tem sido o motor da evolução. Em termos tecnológicos os avanços têm sido avassaladores, sendo por vezes até difícil assimilar tudo o que vem aparecendo.

Em termos energéticos muitas têm sido as tecnologias que vão sendo apresentadas que, embora com diferentes TRLs (Technology Readiness Level, conceito que foi originalmente definido pela NASA como um sistema de medição para avaliar o “nível de maturidade de uma tecnologia”), nos dão esperança para um futuro positivo neste domínio.

Só para se ter uma noção da referida evolução, faço aqui uma resenha de algumas dessas tecnologias com que me deparei apenas nos últimos seis meses! E trata-se apenas de uma seleção:

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  • Lembram-se do Tesla? Pois agora na Finlândia já se está a trabalhar na transmissão de energia sem fios, uma espécie de WiFi elétrico usando ondas de rádio de baixa potência, evitando a transmissão de eletricidade por cabos;
  • Os chineses desenvolveram um novo material supercondutor à base de níquel e hidrogénio que é capaz de conduzir eletricidade sem resistência à temperatura e pressão ambientes (algo como o Santo Graal neste domínio), que pode ser produzido em larga escala;
  • Turbinas eólicas sem hélices (as aves agradecem!), silenciosas e sem desgaste de peças baseadas num cilindro vertical flexível que gera energia por meio de vibrações induzidas pela passagem do vento, um conceito de uma startup espanhola;
  • Foi desenvolvida por uma empresa americana uma tecnologia de perfuração eletromagnética (energia geotérmica) que usa feixes de energia para efetuar a perfuração, de forma mais rápida e económica e a maior profundidade do que pelos processos habituais;
  • Na Califórnia foi também produzido hidrogénio diretamente de jazidas de petróleo esgotadas utilizando microbiologia, sem perfuração e infraestruturas de superfície, conseguindo-se uma corrente gasosa com 40% de hidrogénio;
  • Na Columbia University foram desenvolvidas folhas artificiais com base num polímero especial que removem o CO2 do ar sem necessitar de eletricidade, que pode depois ser removido por enxaguamento para reutilização;
  • Postes de luz “alimentados” por microalgas vivas, criadas em França, sem rede elétrica e sem emissões, luminárias biológicas em que durante o dia as algas realizam a fotossíntese, removendo CO2 da atmosfera e armazenando energia e à noite por bioluminescência emitem luz;
  • Também em França, no reator de fusão DEMO foi conseguido gerar um plasma sustentado e estável usando deutério obtido da água do mar, durante mais de 30 minutos… estamos à beira de uma fonte de energia praticamente ilimitada?
  • Na Alemanha foi desenvolvido um motor a hidrogénio que funciona sem explosão usando um fluxo laminar de hidrogénio sobre um catalisador com platina que produz uma propulsão estável sem chama, sem barulho nem risco de detonação, emitindo vapor, sendo referenciada maior eficiência do que com células de combustível;
  • Também neste país foi ativada a primeira torre de bateria de gravidade (120 m de altura, 20 MWh, eficiência 90%), em que são levantados (com energia renovável em excesso, servindo de armazenamento desta) blocos de betão de 35 toneladas que ao baixarem geram eletricidade através de motores regenerativos;
  • Na revista Nature foi publicado um artigo sobre um dispositivo que trabalha com energia solar que captura diretamente o CO2 do ar e o transforma em gás de síntese, funcionando como uma esponja que de noite remove o CO2 do ar usando filtros especiais e, durante o dia, utilizando luz solar concentrada, promove uma reação química para a obtenção do gás de síntese, que pode depois ser usado para produzir combustíveis renováveis;
  • No Reino Unido e também no Japão, foram produzidos novos magnetos que não usam qualquer tipo de terras raras, com base em IA, cuja produção é muito mais barata e com muito menores emissões associadas.

 

Veja-se que a distribuição geográfica e das áreas tecnológicas no domínio técnico da energia é assinalável, o que demonstra o interesse generalizado dos países, empresas, instituições e investigadores neste campo.

Perante estes desenvolvimentos ficamos naturalmente na expetativa de que, mais uma vez, o engenho do ser humano acabe por levar a melhor e ajudar a Humanidade a ultrapassar mais esta dificuldade que temos que, conjuntamente, ultrapassar.

E com esta nota de esperança para os tempos vindouros aproveito também para desejar aos leitores um Bom Natal !

 

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