A Primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, felicitou esta manhã a Liz Truss pela eleição para a liderança do Partido Conservador e, consequentemente, para o cargo de Primeira-ministra do Reino Unido.
Contudo, Sturgeon reconhece que “as nossas diferenças políticas são profundas, mas procurarei construir uma boa relação de trabalho com ela [Liz Truss], tal como fiz com os últimos três PM”.
Congratulations to Liz Truss. Our political differences are deep, but I will seek to build a good working relationship with her as I did with last 3 PMs.
She must now freeze energy bills for people & businesses, deliver more cash support, and increase funding for public services— Nicola Sturgeon (@NicolaSturgeon) September 5, 2022
A líder escocesa pede que a nova Primeira-ministra, que será confirmada amanhã pela Rainha Isabel II, “congele as faturas da energia para as pessoas e negócios, disponibiliza mais apoios financeiros e aumento o investimento em serviços públicos”.
A relação entre o governo da Escócia e o executivo em Londres tem sido conturbada e marcada por inúmeros obstáculos. Sturgeon tem sido uma defensora acérrima da independência escocesa, para que o território possa decidir se quer, ou não, ser parte da União Europeia.
Apesar de um primeiro referendo em 2014 ter indicado que 55% dos eleitores pretendem continuar a fazer parte do Reino Unido, Sturgeon tem procurado a realização de uma nova auscultação pública, por considerar que a opinião será bastante diferente, agora que o Brexit foi implementado e que está a lançar impactos negativos sobre a população, dados que antes não eram conhecidos.
No dia 28 de junho, Boris Johnson tinha, uma vez mais, recusado o pedido de Sturgeon para realizar um novo referendo, que aconteceria em outubro, levando a líder escocesa a afirma que “a democracia da Escócia não será feita refém deste ou de nenhum outro Primeiro-ministro”.
Contudo, durante a corrida eleitoral ficou evidente que nem os trabalhistas nem os conservadores pretendiam dar aos escoceses mais uma oportunidade para se pronunciarem sobre a independência. Com a eleição de Truss, a posição do governo central não deverá mudar.
Ainda assim, numa entrevista dada à ‘Sky News’ no domingo, a véspera da eleição de Truss, Sturgeon garantiu que estaria aberta ao diálogo com Londres. “É óbvio que a Liz Truss e eu não concordamos em muito no plano político, mas acredito firmemente em dar a um novo Primeiro-ministro a oportunidade de mostrar o que vale”.
Mas a líder escocesa afirma que se Truss mantiver a postura que demostrou na corrida eleitoral, “ela será um desastre, não apenas para a Escócia, mas para todo o Reino Unido”, e acusa a nova Primeira-ministra britânica de estar demasiado focada nas prioridades do Partido Conservador, ao invés de se preocupar em dar resposta às preocupações da população.
Quanto a um novo referedo, Sturgeon reiterou que “a independência é ainda mais necessária quando lidamos com uma crise, porque confere-nos mais margem para navegar em direção a futuro melhor”.
No início de agosto, Truss tinha assumido que iria “ignorar” os pedidos de Sturgeon para um novo referendo, acusando a líder escocesa de procurar as luzes da ribalta. “Penso que o melhor é ignorar a Nicola Sturgeon”, disse Truss, “ela só quer atenção”.
Assim, as relações entre a Escócia e Londres deverão manter-se ásperas, sendo que é praticamente garantido que qualquer novo pedido para a realização de um referendo à independência escocesa será recebido no número 10 de Downing Street com um rotundo “não”.






