As férias do Papa: Leão XIV escolhe o Palácio Apostólico para descansar e reverte decisão histórica de Francisco

O Papa Leão XIV decidiu recuperar uma das mais antigas tradições do papado ao passar o período de férias de verão em Castel Gandolfo, nos Castelli Romani, a cerca de 30 quilómetros de Roma, voltando a utilizar o histórico Palácio Apostólico como residência oficial.

Pedro Zagacho Gonçalves

O Papa Leão XIV decidiu recuperar uma das mais antigas tradições do papado ao passar o período de férias de verão em Castel Gandolfo, nos Castelli Romani, a cerca de 30 quilómetros de Roma, voltando a utilizar o histórico Palácio Apostólico como residência oficial. A estadia, iniciada a 5 de julho e prevista até 27 de julho, marca uma mudança simbólica relativamente aos últimos anos, já que o edifício tinha deixado de servir de residência papal durante o pontificado de Francisco, que optou por permanecer em Roma e transformou o palácio num espaço museológico aberto ao público.

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Segundo o El Confidencial, a deslocação do pontífice norte-americano implica também uma redução significativa da sua agenda oficial durante o mês de julho. Durante as três semanas de descanso ficam suspensas todas as audiências gerais, privadas e especiais, mantendo-se apenas a oração dominical do Ângelus como compromisso público regular. Em vez da tradicional janela do Palácio Apostólico do Vaticano, a celebração decorre excecionalmente na Praça da Liberdade, em Castel Gandolfo. De acordo com o calendário divulgado pela Prefeitura da Casa Pontifícia, as audiências públicas no Vaticano só deverão ser retomadas a 5 de agosto, embora permaneça em aberto a possibilidade de o Papa realizar visitas espontâneas a paróquias da região ou regressar pontualmente ao Vaticano para as celebrações da Assunção, a 15 de agosto, à semelhança do que aconteceu no ano anterior.

Regresso ao Palácio Apostólico marca mudança simbólica
A principal novidade deste verão reside precisamente na escolha da residência. Embora Leão XIV já frequentasse regularmente as Villas Pontifícias às terças-feiras, dia habitualmente reservado ao seu descanso, e tenha passado parte das férias do ano anterior na Villa Barberini, desta vez decidiu instalar-se nos aposentos oficiais do Palácio Apostólico. Trata-se das mesmas dependências privadas utilizadas durante décadas por pontífices como São João Paulo II e Bento XVI, devolvendo ao edifício a função residencial que desempenhou historicamente.

O Palácio Apostólico foi originalmente transformado na residência estival dos papas por iniciativa de Urbano VIII, que confiou ao arquiteto Carlo Maderno a adaptação do edifício para esse efeito. Contudo, durante o pontificado de Francisco, a tradição foi interrompida. O antigo Papa preferiu permanecer em Roma durante os meses de verão e, em 2016, abriu o complexo aos visitantes como museu, alterando profundamente a utilização do espaço.

Obras devolveram ao edifício a função residencial
Para permitir o regresso da residência papal, o museu encerrou definitivamente as suas portas a 30 de junho. Desde então, decorreram trabalhos intensivos de adaptação das instalações, com equipas de operários a procederem à remodelação das áreas que tinham sido convertidas em percurso museológico. O objetivo passou por devolver ao edifício as condições necessárias para acolher novamente um pontífice, garantindo um ambiente privado, confortável e funcional.

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Esta decisão representa não apenas uma alteração logística, mas também um gesto carregado de simbolismo, ao restituir ao Palácio Apostólico a utilização para a qual foi concebido há vários séculos e que tinha sido interrompida durante quase uma década.

Descanso, leitura e preparação para os próximos desafios
O próprio Leão XIV explicou que pretende aproveitar este período para combinar descanso com trabalho intelectual e espiritual. “As férias são, no fundo, um pouco de descanso, muita leitura, reflexão e preparação para o que vem a seguir. Há sempre trabalho também”, afirmou o Papa, descrevendo um programa que inclui momentos de repouso, estudo e preparação de futuros documentos do magistério.

Além da atividade intelectual, o pontífice deverá aproveitar as semanas em Castel Gandolfo para passear pelos jardins monumentais das Villas Pontifícias e manter a prática de exercício físico, recorrendo ao campo de ténis e à piscina construída durante o pontificado de São João Paulo II, infraestruturas que Leão XIV já tinha utilizado anteriormente durante alguns dos seus dias de descanso.

Castel Gandolfo recupera o seu papel histórico
O complexo pontifício de Castel Gandolfo constitui uma vasta propriedade extraterritorial da Santa Sé, integrando o Palácio Apostólico, a Villa Barberini, a Villa Cybo, estufas, vinhas, uma exploração agrícola própria e ainda o histórico Observatório Astronómico Specola Vaticana. O Papa visitou parte deste complexo no verão passado, incluindo o observatório e um lar de idosos situado nas proximidades.

Ao longo das últimas décadas, Castel Gandolfo assumiu um papel de grande relevância na história recente da Igreja Católica. São João Paulo II descrevia-o carinhosamente como o “segundo Vaticano”, enquanto Bento XVI ali permaneceu após a sua renúncia ao pontificado, formalizada em 28 de fevereiro de 2013.

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Com a decisão de Leão XIV de voltar a instalar-se no Palácio Apostólico, o histórico refúgio de verão dos papas recupera plenamente a sua vocação original, voltando a ser o local onde o líder da Igreja Católica encontra um ambiente de serenidade, reflexão e preparação antes de retomar, em agosto, a intensa atividade da Santa Sé.

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