Por: Adam Bluestein
Pode não saber graças às manchetes sobre a SpaceX e a Blue Origin, mas há outra empresa no negócio dos lançamentos espaciais – consideravelmente menos vistosa do que as empresas detidas por Elon Musk e Jeff Bezos, mas a crescer rapidamente. A Rocket Lab, com 19 anos de existência, registou um recorde de 16 lançamentos dos seus foguetões Electron em 2024, face aos 10 de 2023. Isto significa que a Rocket Lab foi responsável pelo segundo maior número de lançamentos entre as operadoras dos EUA em 2024.
Enquanto a SpaceX e a Blue Origin se concentraram em foguetões de médio e grande porte, a Rocket Lab – fundada na Nova Zelândia e agora sediada em Long Beach, Califórnia – destacou-se com o Electron de pequeno porte, que transporta cargas úteis mais pequenas. Mas a fiabilidade e a precisão destes foguetões, feitos de composto de carbono leve e motores impressos em 3D, permitem à Rocket Lab realizar missões complexas, com horários apertados, algo que as suas concorrentes não conseguem.
Em Maio e Junho de 2024, a Rocket Lab realizou lançamentos consecutivos para a NASA no âmbito da missão PREFIRE, que visa melhorar os modelos climáticos através do estudo da perda de calor nas regiões polares da Terra. A tarefa exigiu o lançamento de dois satélites cúbicos em órbitas polares cruzadas com apenas 11 dias de diferença entre si.

Para a Astroscale Japan, a Rocket Lab lançou um satélite experimental de observação de detritos em Fevereiro de 2024 para interceptar a órbita de uma secção de um foguetão já gasta. Para tal, a Rocket Lab teve apenas 20 dias para preparar os parâmetros de lançamento – e um dia de antecedência para a hora exacta da descolagem, que precisava de ser precisa numa janela de 30 segundos.
«Normalmente, usaria um foguetão para entrar em órbita e depois teria outro tipo de nave espacial para o manobrar para mais perto do alvo, mas o Electron tem uma precisão de até 400 metros da inserção orbital [por isso não precisa disso]», explica Peter Beck, fundador e CEO da Rocket Lab.
A procura pelos recursos ágeis do Electron está a crescer. Só no terceiro trimestre de 2024, a Rocket Lab vendeu 47 milhões de euros em novos contratos de lançamento do Electron, a um preço médio de venda de 7,1 milhões de euros por missão, e a empresa já concluiu cinco lançamentos dedicados ao Gabinete Nacional de Reconhecimento dos EUA, que supervisiona a vigilância por satélite do Departamento de Defesa. Os clientes dividem-se entre governamentais e comerciais, com taxas de retorno de 70%, segundo Peter Beck, um engenheiro aeroespacial autodidacta da Nova Zelândia que não frequentou a faculdade. Parte do apelo, diz Peter Beck, é serem «uma empresa estável e de capital aberto. Tudo é divulgado e transparente.»

Mas Peter Beck insiste que a Rocket Lab – que colocou 200 satélites dos seus clientes em órbita – nunca foi apenas uma empresa de lançamentos. A grande visão sempre foi construir e operar as suas próprias constelações de satélites, tal como a SpaceX faz. E a melhor forma de o fazer, considera Peter Beck, é fazer tudo. Semelhante à SpaceX, com a sua cadeia de fornecimento vertical altamente integrada, a Rocket Lab constrói praticamente todos os seus principais componentes para gerir custos e cumprir o seu calendário de lançamento. Quase incidentalmente, a empresa tornou-se fornecedora de peças para a indústria espacial, garantindo quase 42 milhões de euros de financiamento para expandir a produção de células solares de nível espacial numa instalação em Albuquerque, no Novo México, em Junho de 2024. «Cerca de 30% de tudo o que foi para o espaço no ano passado tinha o logótipo da Rocket Lab algures», constata Peter Beck.
A empresa tem actualmente cerca de 40 satélites em construção na sua fábrica em Long Beach, incluindo dois para a missão EscaPADE da NASA a Marte. Já construiu e lançou quatro naves espaciais, incluindo dois satélites para a Varda Space Industries, para testar a produção de ingredientes farmacêuticos no espaço.
Em Dezembro, a Rocket Lab anunciou um contrato de 440 milhões de euros com a Agência de Desenvolvimento Espacial dos EUA para construir 18 satélites para uma constelação planeada de 90 satélites que fornecerão serviços de transmissão de voz e dados a militares de todo o mundo.
O próximo capítulo da empresa depende do seu segundo foguetão, o Neutron, semi-reutilizável e de média dimensão, cujo lançamento teste está previsto para o final deste ano. Com uma capacidade superior à do Electron, o Neutron competiria directamente com o Falcon, da SpaceX, e ajudaria a Rocket Lab a servir um leque mais alargado de clientes. Peter Beck também o vê como «uma viagem ao espaço para o nosso próprio material». As suas inovações de engenharia incluem uma segunda etapa “enterrada” dentro da primeira etapa, tornando o foguetão mais leve e, por isso, mais barato de lançar do que o Falcon 9, da SpaceX.
À medida que os conflitos de interesses das suas concorrentes se tornam mais evidentes, Peter Beck vê o sucesso da Rocket Lab como uma oportunidade para o governo e as empresas espaciais darem mais opções. «É sempre preciso haver competição para manter todos honestos», nota. «Acho que ninguém se sentiria confortável com apenas um grande fornecedor de lançamentos nos EUA. Infelizmente, as nossas duas concorrentes são das duas pessoas mais ricas do mundo. Nunca gastaremos mais do que elas, mas vamos inovar mais do que elas e esforçar-nos mais.»









