Arranca a corrida aos cargos-chave do BCE: três lugares vão mudar de mãos, incluindo a presidência

A União Europeia prepara-se para iniciar uma ampla disputa pelos principais cargos do Banco Central Europeu (BCE), num processo que começa formalmente na próxima semana.

Executive Digest

A União Europeia prepara-se para iniciar uma ampla disputa pelos principais cargos do Banco Central Europeu (BCE), num processo que começa formalmente na próxima semana com a escolha do sucessor de Isabel Schnabel, mas que deverá acabar por envolver também a futura presidência da instituição e o lugar de economista-chefe.

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O primeiro passo será dado pelo Eurogrupo a 8 de outubro, no Luxemburgo. Christine Lagarde pediu, através de uma carta enviada ao presidente do Conselho Europeu, António Costa, que os países avancem de imediato com a procura de um substituto para Schnabel, que deixará o Comité Executivo do BCE em janeiro, um ano antes do previsto, para integrar o Fundo Monetário Internacional (FMI).

A saída da responsável pelas Operações de Mercado abre uma sequência de mudanças na cúpula do banco central. Além deste lugar, terão de ser renovados o cargo atualmente ocupado pelo economista-chefe Philip Lane e, mais tarde, a própria presidência de Lagarde.

Três lugares no topo do BCE em jogo

O presidente do Eurogrupo, Kyriakos Pierrakakis, deverá lançar as negociações entre os ministros das Finanças da zona euro na reunião de 8 de outubro. Formalmente, a discussão estará concentrada no sucessor de Schnabel, uma vez que foi esse o único cargo referido no pedido de Lagarde.

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Na prática, porém, a escolha dificilmente será feita sem ter em conta as restantes mudanças que se aproximam. Os países terão de equilibrar nacionalidades, perfis técnicos e diferentes sensibilidades na distribuição dos cargos mais influentes do BCE.

A calendarização também complica uma eventual negociação conjunta. Lagarde indicou que pretende permanecer à frente do BCE até, pelo menos, poucos meses antes do final do mandato, marcado para 31 de outubro de 2027. Philip Lane deverá, por sua vez, abandonar a instituição em 31 de maio.

Apesar da diferença entre as datas das saídas, a expectativa é de que as negociações acabem por estar interligadas. A atribuição de um dos cargos poderá condicionar as possibilidades de cada país conquistar outro lugar no topo da autoridade monetária.

Espanha quer a presidência e aposta em Hernández de Cos

Espanha, França, Alemanha e Países Baixos estão entre os países diretamente envolvidos nesta disputa pela representação no Comité Executivo.

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Espanha pretende apontar pela primeira vez à presidência do BCE e deverá avançar com Pablo Hernández de Cos. O antigo governador do Banco de Espanha é atualmente diretor-geral do Banco de Pagamentos Internacionais e a sua candidatura já foi confirmada pelo presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez.

Um dos principais nomes na corrida à sucessão de Lagarde é Klaas Knot, antigo governador do banco central dos Países Baixos. Tal como Hernández de Cos, o neerlandês tem projeção internacional, embora o seu país já tenha ocupado a presidência do BCE através de Wim Duisenberg, primeiro presidente da instituição.

A Alemanha chegou a ser associada à corrida à presidência através do governador do Bundesbank, Joachim Nagel, mas essa possibilidade terá perdido força perante a ausência de sinais claros de apoio do Governo alemão. Berlim poderá antes tentar conservar o lugar atualmente ocupado por Schnabel, surgindo o antigo responsável do FMI Tobias Adrian como uma possibilidade.

França de olhos no lugar de economista-chefe

A França, por sua vez, estará praticamente afastada de uma nova candidatura à presidência, depois de o país já ter ocupado o cargo com Jean-Claude Trichet e, atualmente, com Christine Lagarde.

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As ambições francesas estarão mais concentradas no lugar de economista-chefe que será deixado por Philip Lane. Entre os nomes considerados encontram-se Agnès Bénassy-Quéré, vice-governadora do Banco de França, e Laurence Boone, antiga economista-chefe da OCDE.

Embora a reunião do Eurogrupo tenha oficialmente como objetivo iniciar a procura do sucessor de Schnabel, grande parte da verdadeira negociação deverá decorrer paralelamente ao encontro formal.

Os ministros dos países interessados deverão aproveitar reuniões bilaterais e conversas à margem do encontro no Luxemburgo para procurar apoios e testar possíveis acordos. O resultado da primeira escolha poderá, assim, influenciar diretamente a corrida pelos restantes lugares.

A renovação da cúpula do BCE transforma-se desta forma num complexo exercício de equilíbrio entre países, perfis e cargos, com a sucessão de Schnabel a funcionar como a primeira decisão de uma negociação que deverá prolongar-se até à escolha do próximo presidente da instituição.

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