O CEO de uma gigante tecnológica americana ligada à Defesa defendeu o regresso do serviço militar obrigatório nos Estados Unidos, numa das propostas mais polémicas incluídas num resumo em 22 pontos do livro que a Palantir divulgou este fim de semana.
A síntese do livro de Alex Karp, escrita em coautoria e publicada no início de 2025, foi partilhada pela empresa nas redes sociais. Como relata a ‘Business Insider’, o documento condensa posições que o empresário tem vindo a defender há vários anos sobre segurança nacional, tecnologia, política externa americana e papel do setor tecnológico.
Entre os pontos que mais reação geraram está a ideia de que os Estados Unidos devem reconsiderar o modelo de forças armadas inteiramente voluntárias. No texto, Karp defende que o serviço nacional deve ser encarado como um dever universal e que o país só deve entrar na próxima guerra se toda a sociedade partilhar o risco e o custo.
O resumo inclui ainda posições sobre o uso militar da inteligência artificial, defendendo que o debate já não deve centrar-se na possibilidade de construir armas com IA, mas em quem as constrói e com que objetivo. Noutro dos pontos, a formulação é direta: se um fuzileiro americano pedir uma espingarda melhor, o país deve construí-la, “e o mesmo se aplica ao software”.
Ao longo da lista, o CEO da Palantir critica também o que descreve como excesso de foco de Silicon Valley em aplicações e produtos de consumo, defendendo uma maior participação das tecnológicas na defesa nacional. Noutros pontos, o texto aborda criminalidade violenta, religião, cultura política, serviço público, política externa e o papel dos Estados Unidos e do Ocidente no equilíbrio global.
A reação não tardou. Shaun Maguire, parceiro da Sequoia, classificou os pontos como “brilhantes” e elogiou a clareza moral da empresa. Já Eliot Higgins, fundador do site de jornalismo de investigação Bellingcat, escreveu que estas ideias não são filosofia abstrata, mas sim a ideologia pública de uma empresa cuja receita depende das políticas que está a defender.
A polémica surge numa altura em que a Palantir mantém uma forte exposição a contratos públicos e ao setor da Defesa. Mais à frente, a ‘Business Insider’ recorda que os contratos governamentais representam uma parte importante do negócio da empresa e que o exército americano recorreu ao seu sistema Maven Smart System, uma plataforma de seleção de alvos apoiada por inteligência artificial, durante a guerra com o Irão.
A divulgação do resumo voltou assim a colocar Alex Karp e a Palantir no centro do debate em Silicon Valley, ao juntar numa só publicação defesa nacional, tecnologia militar, crítica à indústria tecnológica e uma proposta que há muito saiu da agenda política americana: o regresso da conscrição.






