O Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do planeta para o transporte de petróleo e gás, pode estar a tornar-se um novo foco de risco global. Segundo informações divulgadas pelo site espanhol ’20 Minutos’, autoridades americanas acreditam que o Irão poderá estar a preparar a colocação em larga escala de minas navais, uma arma considerada particularmente eficaz para bloquear ou perturbar o tráfego marítimo.
O estreito liga o Golfo Pérsico ao oceano Índico e é responsável por uma parte significativa do comércio energético mundial. Antes da atual escalada militar, mais de 20% do petróleo e gás comercializados globalmente atravessavam esta passagem estratégica.
Com o agravamento do conflito no Médio Oriente, há receios de que a utilização de minas navais possa transformar o estreito num dos pontos mais perigosos para a navegação internacional.
“Armas à espera”
As minas navais são frequentemente descritas por especialistas militares como “armas à espera”, devido à forma como permanecem submersas durante longos períodos até serem ativadas pela passagem de uma embarcação.
De acordo com análises citadas pelo ’20 Minutos’, estas armas representam uma das formas mais eficazes de guerra naval assimétrica. Desde o fim da II Guerra Mundial, as minas terão danificado ou afundado mais navios da Marinha americana do que qualquer outro tipo de ataque combinado.
Ao contrário de mísseis ou torpedos, que exigem lançamento direto, as minas podem ser colocadas discretamente e permanecer ativas durante semanas ou meses, tornando extremamente difícil garantir a segurança de uma rota marítima.
Milhares de minas disponíveis
Estimativas citadas por analistas indicam que o Irão poderá possuir entre 2.000 e 6.000 minas navais, incluindo modelos de produção nacional e versões baseadas em tecnologia chinesa e russa.
Estas minas podem ser colocadas por pequenas embarcações ou por navios militares, permitindo criar rapidamente um campo minado capaz de dificultar ou bloquear o tráfego naval.
A operação no Estreito de Ormuz estaria a ser coordenada pela Guarda Revolucionária Islâmica, que controla parte significativa da atividade naval iraniana na região e dispõe de meios para combinar minas, embarcações explosivas e sistemas de mísseis costeiros.
Tráfego marítimo já caiu drasticamente
A simples possibilidade de campos minados na região já está a provocar efeitos no comércio internacional.
Segundo dados citados pelo ’20 Minutos’, o tráfego comercial no Estreito de Ormuz caiu cerca de 97% desde o início da escalada militar entre os Estados Unidos, Israel e o Irão.
Centenas de navios mercantes e petroleiros permanecem retidos no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã, aguardando condições mais seguras para atravessar a passagem.
Apesar dos riscos, alguns petroleiros continuam a utilizar a rota. Analistas indicam que cerca de 11 milhões de barris de petróleo iraniano já saíram do país desde o início dos ataques americanos e israelitas.
Seguradoras e transporte marítimo em alerta
O aumento da tensão está também a ter impacto no setor marítimo internacional.
Algumas das principais seguradoras de transporte marítimo começaram a retirar cobertura para navios que operem perto das águas iranianas ou em determinadas áreas do Golfo.
Empresas como a NorthStandard, o London P&I Club e o American Club alertaram para o risco crescente de embarcações ficarem presas no conflito.
Organizações internacionais de monitorização marítima elevaram o nível de ameaça na região para “crítico”, considerando que um ataque ou incidente naval pode ocorrer a qualquer momento.
Uma ameaça que pode afetar toda a economia global
Especialistas alertam que qualquer bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz teria impacto imediato nos mercados energéticos e no comércio mundial.
A interrupção desta rota estratégica poderia provocar uma forte subida dos preços do petróleo e do gás, com repercussões em toda a economia global.
Neste cenário, as minas navais — discretas, difíceis de detetar e relativamente baratas — tornam-se uma das armas mais eficazes para transformar um corredor marítimo vital num dos pontos mais perigosos do planeta.














