Salvar cangurus e coalas da extinção é o objectivo de um grupo de investigadores que olha para a engenharia genética e para bancos gelados de material biológico como a solução para a salvação das espécies. Uma Arca de Noé dos tempos modernos, que deverá ajudar a combater os estragos causados por desastres naturais como os incêndios que assolaram a Austrália há apenas algumas semanas.
No que à engenharia genética diz respeito, o Cnet avança que cientistas da Universidade de Melbourne estão a focar as suas atenções num pequeno marsupial, cujo nome científico é Sminthopsis crassicaudata. Trata-se de um animal parecido com um rato, carnívoro e pouco maior do que uma bola de golfe, que pode encerrar em si o segredo para a perpetuação de outras espécies mais conhecidas do público.
A estratégia passa por estudar o mapa genético do Sminthopsis crassicaudata, manipular genes e testar novas abordagens ao tratamento de doenças. Isto porque o risco que os animais australianos correm não estão apenas relacionados com incêndios, mas também com destruição do habitat, espécies invasoras, caça ou alterações climáticas. O objectivo é que, em última instância, seja possível reprogramar células.
Caso os cientistas australianos tenham sucesso, poderá ser criado um cofre de células marsupiais congeladas, capaz de preservar a diversidade genética destes animais e evitar a sua extinção.
A mesma publicação explica que este trabalho já é feito há muitos anos com ratos de laboratório, cuja genética é alterada de forma a estudar e controlar a reprodução e desenvolvimento de diferentes mamíferos. No entanto, não é possível aplicar o genoma dos ratos aos marsupiais, pelo que será necessário recorrer ao Sminthopsis crassicaudata.
Assim que esta abordagem for reproduzida com a ajuda do Sminthopsis crassicaudata, o passo seguinte será criar um banco para congelar e armazenar as células. Seria uma espécie de garantia de segurança.
Uma vez mais, para outras espécies isto já é uma realidade. Por debaixo do jardim zoológico de San Diego, nos Estados Unidos da América, encontra-se o Frozen Zoo, um repositório de tubos de ensaio com material genético de mais de 10 mil espécies. É o maior banco do género de todo o mundo.
O Frozen Zoo tem, por exemplo, tentado salvar da extinção o rinoceronte branco, possibilitando a criação em laboratório de um embrião – cuja implantação acontecerá em breve.













