Um milhão de adultos do Reino Unido passou um dia inteiro sem comer no mês passado porque não tinham dinheiro para colocar uma refeição na mesa, de acordo com uma sondagem publicada no jornal britânico ‘The Guardian’, que apontou como a crise do custo de vida aumentou a insegurança alimentar.
O aumento dos preços de energia e mercearia está a ter um impacto devastador no consumo de alimentos de milhões de pessoas, revelou o ‘think tank’ Food Foundation. Mais de um em cada cinco domicílios garantiram que já enfrentaram o dilema de “aquecer ou comer”, reduzindo a qualidade ou quantidade de alimentos para pagar energia ou outras contas essenciais – 59% dos domicílios temem pelo futuro, que o custo de vida seja reduzido ainda mais para gastar em comida.
Ao todo, quase uma em cada 10 famílias do Reino Unido relatou algum grau de insegurança alimentar no último mês – definida como saltar refeições, passar fome ou não comer por um dia inteiro – porque não tinha dinheiro para comprar comida. “Há pouca dúvida de que a crise do custo de vida está a pressionar bastante a capacidade de muitos de pagar uma dieta saudável e deve aumentar as desigualdades na saúde”, disse a fundação.
Milhões de famílias britânicas estão sob crescentes pressões financeiras como resultado do aumento das contas de energia e da inflação crescente. As contas de gás e eletricidade vão aumentar em média 827,49 euros por ano a partir de abril próximo, o que vai levar 5 milhões de famílias para a chamada ‘pobreza de combustível’, apesar dos esforços do Governo do Reino Unido para aliviar a tensão.
As contas no supermercado também aumentaram acentuadamente, 3,8% em janeiro e potencialmente adicionando 212 euros extras por ano. A pesquisa da ‘Food Foundation’ foi realizada online entre 18 e 20 de janeiro, entre 4.200 adultos e relatou que 8,8% de todos os domicílios, contendo 4,7 milhões de adultos, passam por insegurança alimentar, acima dos 7,3% em julho, quando a última pesquisa foi realizada.








