Aproveitar o tempo na praia para pensar em poupanças? Coach financeiro dá conselhos e sugestões para trabalhar a literacia financeira durante as férias

Pode parecer um contrassenso, mas a verdade é que as férias de verão, quando estamos mais descansados, ‘folgados’ e de cabeça limpa, podem ser a melhor altura para começar a trabalhar em incrementar a sua literacia financeira, e adotar comportamentos que se podem revelar essenciais para ter uma vida futura mais confortável.

Pedro Zagacho Gonçalves

Pode parecer um contrassenso, mas a verdade é que as férias de verão, quando estamos mais descansados, ‘folgados’ e de cabeça limpa, podem ser a melhor altura para começar a trabalhar em incrementar a sua literacia financeira, e adotar comportamentos que se podem revelar essenciais para ter uma vida futura mais confortável.

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Quem o diz é Luís Lourenço, coach financeiro da Paynest que, em entrevista à Executive Digest, explica porque aproveitar este período de descanso para pensar em ‘coisas mais sérias’ e deixa alguns conselhos para quem quer começar a introduzir-se ao mundo das finanças pessoais.

“O verão  é sempre um momento em que temos mais alguma paz de espirito, saímos da azafama do dia-a-dia e de todas as coisas para fazer, e  temos mais tempo para refletir e pensar em algumas coisas que, normalmente, pensamos menos. É claro que o verão também é altura em que procuramos esquecer a quantidade de problemas que temos no resto do tempo, e às vezes pensar em dinheiro parece que pode não ser muito apropriado, para esta altura”, admite o especialista.  No entanto, sublinha, é necessário primeiro perceber a importância de dedicar tempo a este tema.

“Todos nos sabemos a importância do dinheiro, mas, muitas vezes, não consciencializamos, digamos assim; porque se conseguirmos projetar a nossa vida no futuro, a 5, 10, 15 ou mais anos, conseguimos perceber melhor a importância de realmente conseguirmos chegar a estas alturas e ter uma vida financeira tranquila”, assinala o coach financeiro.

Qual o primeiro passo?

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Segundo Luis Lourenço, o primeiro passo a dar é “procurar entender qual a importância do dinheiro na nossa vida”. “Basta pensar que, desde que nos levantamos até que nos deitamos à noite, tudo custa dinheiro, menos respirar”, brinca.

A necessidade começa realmente a manifestar-se “se tivermos determinados tipos de projeto para o futuro, por exemplo, quem tem filho e gostaria de proporcionar-lhes educação num determinado sítio, ou se quisermos adquirir casa, comprar ou mudar de carro”.

Tendo esta consciência, “podemos mais facilmente aproveitar o tempo menos pressionado do verão para dedicar realmente então alguma atenção a este tema, poder aprender sobre ele, refletir e começar a desenvolver algumas ações ou tomar decisões sobre o que podemos fazer na nossa vida financeira”.

Conselhos e ideias práticas

“Muitas vezes digo, por ser esta altura do verão: até em família e amigos, muitas coisas que se podem fazer que ajudam a introduzir de forma acessível, didática e divertida, questões de finanças pessoais”, indica o coach financeiro à Executive Digest.

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Temos mais tempo para ver séries, filmes e ler livros… Porque não que sejam sobre o tema das finanças? “Há muitos conteúdos em várias plataformas e formatos que podemos ver sozinhos ou em família, num ambiente descontraído”, indica.

Filmes e séries recomendados:

  1. “Como lidar com o dinheiro”: este documentário, com cerca de 90 minutos, reúne um conjunto de consultores financeiros que partilham conselhos simples sobre como gastar menos, poupar mais e começar a investir.
  2. “Como ficar rico”: também do género documentário, esta minissérie de oito curtos episódios expõe a vida e decisões financeiras de diferentes pessoas, que são acompanhadas pelo especialista em finanças pessoais Ramit Sethi.
  3. “O mago das mentiras”: o filme sobre o consultor financeiro Bernard Madoff e sobre como funcionava o Esquema Ponzi, a maior fraude financeira da história dos EUA.

Se é mais de leituras de verão, Luís Lourenço destaca que , na gestão do dinheiro, “é sempre importante dominar tema da psicologia”. Segundo explica, fazer um orçamento e calcular as receitas e despesas não chega. “As pessoas têm de ter a psicologia correta, o mindset e mentalidade certos. Só as técnicas não bastam”. Assim, é recomendado o livro  “A Psicologia do Dinheiro”, da autoria de Morgan Housel, “um livro que cabe em qualquer mala de praia e que pretende ajudar a compreender o dinheiro e as questões financeiras, através de 19 histórias diferentes”.

Jogos, mealheiros e compras. Envolver os mais novos nas decisões financeiras familiares é essencial

Para miúdos e graúdos, pode também ser interessante ir buscar o velho tabuleiro de Monopólio lá de casa. Se por um lado ajudará a perceber alguns conceitos (e a redescobri-los) se olhar além do jogo, também permitirá que os mais novos comecem a ter algumas noções de finanças pessoais, e de uma maneira divertida e descontraída.

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“Podemos criar pequenos desafios que se podem fazer no verão ou qualquer altura do ano. Por exemplo, poupar um euro por dia este mês, e fazer disto uma espécie de jogo com amigos, família, ou sozinho. No fim do mês podem ser só 30 euros, mas ficou um hábito e, continuando o mesmo, no fim de um ano temos 300 ou 400 euros e depois já ficamos com vontade de investir esse dinheiro e multiplicá-lo”, exemplifica.

A chave, reforça, “é criar e desenvolver um mindset da importância do dinheiro”.

Também, indica Luís Lourenço, deve procurar integrar-se crianças e adolescentes nas decisões sobre o orçamento familiar, e também nestes ‘jogos’ de poupança. “Não necessariamente a pouparem um euro por ia, mas a funcionarem como ‘árbitros’, dando-lhes uma responsabilidade, ou até a participarem nas decisões sobre as compras a fazer, onde ir de férias, o que fazer no fim de semana, gerir uma determinada quantia de dinheiro para uma refeição…”, exemplifica.

“É importante que se sintam integrados no projeto familiar e ao mesmo tempo informados sobre o tema da gestão do dinheiro, que é absolutamente crucial”, resume.

Assim, deve-se criar um “objetivo” de família, e juntar os esforços de todos nesse sentido.

Caso não seja um hábito seu preparar financeiramente as férias, e  criar um orçamento, saiba que já vai tarde, mas nunca tarde demais. Segundo o coach financeiro, deve dividir o dinheiro que quer gastar pelos dias que lhe restam de férias e usar isso como ponto de partida para começar a preocupar-se mais com as suas finanças pessoais. “Em vez de ir jantar fora, podemos organizar um jantar com amigos. Em vez de gastarmos dinheiro a passear no fim de semana, devemos aproveitar os eventos e festas gratuitas, que agora há por todo o País. Basta consultar as agendas culturais!”, aconselha.

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“As pequenas coisas podem mesmo ser passos de gigante” na altura de trabalhar para uma melhoria da nossa vida financeira, termina Luís Lourenço, em declarações à Executive Digest.

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