Dezasseis famílias vão apresentar esta segunda-feira uma queixa coletiva ao Ministério Público de Paris contra o TikTok, acusando a rede social de responsabilidade em casos de suicídio e distúrbios comportamentais sofridos por adolescentes.
Segundo o ’20 Minutos’, o processo é liderado pela advogada Laure Boutron-Marmion, que representa as famílias e acusa a plataforma de ter abusado da fragilidade dos menores.
Em causa está, segundo a advogada, a exploração da vulnerabilidade de adolescentes expostos a conteúdos potencialmente nocivos através da rede social.
Cinco casos de suicídio e onze adolescentes com perturbações
A queixa reúne o caso de cinco famílias de raparigas que cometeram suicídio.
Inclui ainda outras onze famílias, relativas a dez raparigas e um rapaz que sofrem de anorexia, depressão ou tendências suicidas.
A advogada sustenta que a plataforma deve ser responsabilizada por conteúdos e mecanismos de recomendação que, segundo as famílias, agravaram situações de fragilidade psicológica.
“Aproveitam-se da sua fragilidade”
Christelle, mãe de uma das adolescentes afetadas por anorexia, contou à rádio ‘France Info’ que se sentiu “sobrecarregada” ao descobrir os conteúdos a que a filha tinha sido exposta.
A adolescente instalou o TikTok no telemóvel aos 12 anos.
A mãe, que é também professora, diz desconhecer as “imagens mórbidas” e outros conteúdos que a filha via na aplicação.
Segundo Christelle, existe no TikTok “uma vontade de causar danos que leva os nossos adolescentes a cometerem atos prejudiciais a si mesmos”.
A mãe acusa ainda a rede social de explorar a vulnerabilidade da filha, atualmente com 15 anos.
“Há uma crueldade em capturar a sua atenção e gerar lucros. Eles claramente aproveitam-se da sua fragilidade”, afirmou.
Procuradoria de Paris já investigava a plataforma
A Procuradoria de Paris já tinha aberto, em outubro de 2025, uma investigação ao TikTok.
O objetivo era apurar se a plataforma poderia ser considerada promotora do suicídio entre jovens, devido a alguns conteúdos publicados e difundidos na aplicação.
A nova queixa coletiva vem aumentar a pressão judicial e política sobre a rede social, num momento em que cresce o debate sobre os efeitos das plataformas digitais na saúde mental dos menores.
França discute proibição para menores de 15 anos
Além da via judicial, a advogada Laure Boutron-Marmion defende que os políticos avancem com legislação mais dura sobre o acesso de adolescentes às redes sociais.
O Parlamento francês está a analisar um projeto de lei que prevê a proibição do uso de redes sociais por menores de 15 anos.
A medida ainda aguarda também luz verde das autoridades europeias.
O caso reforça uma discussão cada vez mais ampla na Europa: até onde deve ir a responsabilidade das plataformas quando os seus algoritmos expõem menores a conteúdos relacionados com automutilação, suicídio, distúrbios alimentares ou sofrimento psicológico.



