O recurso ao crédito consolidado registou um crescimento significativo em 2025, com mais de 37 mil pedidos submetidos ao longo do ano. Segundo dados da intermediária de crédito Gestlifes, divulgados no portal CreditoConsolidado.pt, foram contabilizados 37.187 pedidos de consolidação de empréstimos, acima dos 33.532 registados em 2024.
Este aumento da procura refletiu-se de forma expressiva no número de aprovações. O total de contratos efetivamente financiados duplicou face ao ano anterior, passando de 465 em 2024 para 938 em 2025. Em termos de montantes, o volume total de crédito consolidado subiu de 16 milhões para 19 milhões de euros.
Os dados revelam ainda um cenário de pressão financeira elevada antes do recurso à consolidação. Em média, as famílias que avançaram com este tipo de pedido apresentavam uma taxa de esforço de 59%, muito acima do intervalo de 35% a 40% geralmente recomendado pelas instituições financeiras.
Após a consolidação dos empréstimos, a taxa de esforço média desceu para 42,51%, permitindo um alívio mensal médio de 254 euros por agregado familiar.
Outro dos indicadores relevantes de 2025 foi o crescimento da procura entre a população sénior. O número de reformados que recorreram ao crédito consolidado duplicou, passando de 210 em 2024 para 414 no ano passado.
Verificou-se também uma alteração no perfil dos contratos, com um peso crescente de pedidos com dois titulares. Em 2025, estes representaram 37% do total, face aos 26% registados no ano anterior, sinalizando que a perda de rendimento disponível está a afetar cada vez mais os agregados familiares.
A procura ao longo do ano não foi homogénea. De acordo com Rita Quaresma, diretora de Operações do CreditoConsolidado.pt, registaram-se picos de atividade nos meses de janeiro e fevereiro, bem como em setembro e outubro. “”Estes picos coincidem com períodos de reorganização financeira após a acumulação de despesas no Natal e durante as férias de verão. Em setembro e outubro, dizemos até que a consolidação faz parte das resoluções das férias. As famílias regressam, fazem contas e percebem que precisam de agir para evitar o incumprimento”, explica.
Para 2026, Rita Quaresma antecipa o aumento da procura pela consolidação de empréstimos. “Há hoje maior consciência financeira, mas também maior pressão. O crédito consolidado deixou de ser uma opção pontual e passou a ser uma ferramenta estrutural para muitas famílias”, conclui.













