Aprovação de Trump cai à medida que aumenta preocupação dos norte-americanos com a economia, mostram sondagens

A queda surge no contexto de novas ameaças de tarifas comerciais impostas pelo líder republicano a vários países, segundo revela uma sondagem da Reuters/Ipsos divulgada esta terça-feira.

Pedro Zagacho Gonçalves

A taxa de aprovação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, registou uma ligeira descida nos últimos dias, num momento em que cresce a preocupação dos norte-americanos com o rumo da economia do país. A queda surge no contexto de novas ameaças de tarifas comerciais impostas pelo líder republicano a vários países, segundo revela uma sondagem da Reuters/Ipsos divulgada esta quarta-feira.

O inquérito, realizado ao longo de seis dias e concluído na terça-feira, mostra que 44% dos inquiridos aprovam o desempenho de Trump como presidente. Trata-se de uma descida em relação aos 45% registados na sondagem da Reuters/Ipsos entre 24 e 26 de janeiro. No entanto, a queda é mais acentuada quando comparada com os 47% de aprovação registados entre 20 e 21 de janeiro, logo após o regresso de Trump à Casa Branca.

Ao mesmo tempo, a percentagem de norte-americanos que desaprovam a sua presidência subiu consideravelmente, passando de 41%, registados logo após a sua tomada de posse, para 51% na sondagem mais recente.

Imigração mantém apoio, mas economia gera dúvidas
Apesar da descida global na popularidade do presidente, a sua política de imigração continua a ter um nível de aprovação relativamente elevado. Segundo a sondagem, 47% dos inquiridos apoiam a abordagem de Trump à imigração, que inclui promessas de intensificar as deportações de migrantes em situação irregular. Este valor manteve-se praticamente inalterado em relação ao mês anterior.

No entanto, a perceção sobre a economia deteriorou-se significativamente. A percentagem de americanos que acreditam que o país segue numa direção errada aumentou de 43%, registados entre 24 e 26 de janeiro, para 53% na sondagem mais recente. Em paralelo, a aprovação da gestão económica de Trump caiu para 39%, face aos 43% da sondagem anterior.

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A economia tem sido um dos pilares da força política de Trump, com muitos eleitores a acreditarem que as suas políticas beneficiariam o crescimento do país. Contudo, a sua popularidade nesta área encontra-se agora bem abaixo dos 53% registados em fevereiro de 2017, no primeiro mês completo do seu primeiro mandato. Ainda assim, os números continuam superiores aos do seu antecessor, Joe Biden, que terminou o mandato com uma taxa de aprovação de apenas 34% no que toca à economia.

Inflação e tarifas comerciais aumentam pressão sobre Trump
Um dos sinais mais preocupantes para a presidência de Trump prende-se com a sua gestão da inflação. Apenas 32% dos inquiridos aprovam a forma como o presidente tem lidado com a subida dos preços, um número que sugere uma crescente frustração pública com o impacto da inflação.

O descontentamento ocorre após anos de aumento dos preços que enfraqueceram Biden antes das eleições presidenciais do ano passado. Apesar disso, Trump conseguiu derrotar Kamala Harris, então vice-presidente de Biden, vencendo no Colégio Eleitoral e assegurando uma vitória apertada no voto popular.

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Um relatório recente do Departamento do Trabalho dos EUA revelou que os preços ao consumidor registaram o maior aumento dos últimos 18 meses em janeiro, afetando uma ampla gama de bens e serviços. Além disso, outros indicadores económicos sugerem que os consumidores esperam um agravamento da inflação nos próximos meses, especialmente após o anúncio, a 1 de fevereiro, de novas tarifas aduaneiras sobre importações da China, México e Canadá.

Embora as tarifas sobre o México e o Canadá tenham sido adiadas até março, Trump manteve a data de 12 de março para o início das tarifas sobre o aço e o alumínio importados. Além disso, o presidente ordenou à sua equipa que desenvolvesse um novo regime de tarifas recíprocas a nível global.

A nova estratégia protecionista de Trump não reúne consenso entre os norte-americanos. A sondagem da Reuters/Ipsos mostra que 54% dos inquiridos opõem-se à imposição de novas tarifas sobre produtos importados, enquanto 41% as apoiam. No entanto, quando se trata especificamente de bens oriundos da China, o apoio é maior: 49% dos inquiridos estão a favor do aumento das tarifas sobre produtos chineses, enquanto 47% se manifestam contra.

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