A Apple e a Nvidia anunciaram um investimento superior a 1.000 milhões de dólares (cerca de 925 milhões de euros) na cadeia de abastecimento tecnológica dos EUA.
No entanto, analistas consideram que a iniciativa pode ter um impacto mais simbólico do que transformador, especialmente num contexto de tensão geopolítica crescente, revela uma análise elaborada pela Coface.
Apesar da expressiva quantia anunciada, grande parte do investimento está direcionada para custos operacionais já existentes e para projetos previamente divulgados. A ausência de infraestruturas de produção próprias por parte da Apple e da Nvidia sugere que o compromisso será maioritariamente executado através de fornecedores externos.
Este movimento surge num contexto político marcado pela retórica da Administração Trump em relação à independência industrial. Fatores como o apoio ao CHIPS and Science Act, a proteção contra novas tarifas e o alívio das restrições de exportação para semicondutores são apontados como motivações estratégicas subjacentes. No entanto, esta posição pública pode aumentar as tensões com mercados internacionais cruciais, como a China, expondo as empresas a potenciais retaliações comerciais.
O anúncio também destaca os desafios estruturais que persistem na produção de semicondutores nos EUA, incluindo a falta de mão de obra especializada, os elevados custos operacionais e a dependência de tecnologia importada. Além disso, a forte aposta em chips de Inteligência Artificial pode descurar a produção de chips de menor complexidade, essenciais para a indústria automóvel e outros setores estratégicos.




