Apostas de milhares, lucros de centenas de milhares: quem sabia do cessar-fogo antes de Trump?

Dezenas de contas recém-criadas na plataforma Polymarket apostaram fortemente no cenário de um acordo iminente — apesar da escalada de tensão e da ausência de sinais públicos de entendimento

Francisco Laranjeira

Um conjunto de apostas altamente lucrativas feitas horas antes do anúncio de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irão está a levantar suspeitas de uso de informação privilegiada em mercados de previsão.

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De acordo com a ‘Euronews’, dezenas de contas recém-criadas na plataforma Polymarket apostaram fortemente no cenário de um acordo iminente — apesar da escalada de tensão e da ausência de sinais públicos de entendimento.

Apostas milimétricas antes do anúncio

Segundo dados de blockchain analisados através da plataforma ‘Dune Analytics’, pelo menos 50 contas fizeram apostas significativas no “Sim” poucas horas antes de Donald Trump anunciar um cessar-fogo de duas semanas.

O timing chama a atenção: no próprio dia, Trump tinha ameaçado que “toda uma civilização” poderia morrer caso o Irão não cedesse — um discurso que não apontava para um acordo imediato.

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Lucros de centenas de milhares

Os ganhos foram expressivos. Uma conta criada no próprio dia investiu cerca de 72 mil dólares (cerca de 61.600 euros) e obteve lucros próximos de 200 mil dólares (171.200 euros). Outra carteira arrecadou mais de 125 mil dólares (107.400 euros).

Um terceiro caso é ainda mais impressionante: uma conta criada apenas 12 minutos antes do anúncio investiu cerca de 31.900 dólares (27.315 euros) e terá lucrado mais de 48 mil dólares (41.520 euros).

Informação privilegiada ou estratégia arriscada?

O caso reacende o debate sobre a utilização de informação privilegiada nestas plataformas. Para alguns analistas, os investidores poderão ter antecipado um recuo de Trump — um padrão já observado e apelidado por críticos como “Trump Always Chickens Out” (TACO).

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Ainda assim, vozes políticas levantam sérias dúvidas. O congressista Blake Moore considera “altamente improvável” que estas operações sejam legítimas, sugerindo que poderão envolver acesso antecipado a decisões governamentais.

Mercado em disputa e falta de transparência

Entretanto, a Polymarket classificou o contrato como “em disputa”, uma vez que o Irão continua a impor restrições no Estreito de Ormuz e mantém ações militares na região.

A estrutura da plataforma também dificulta a identificação dos utilizadores: as carteiras são anónimas e podem ser multiplicadas, o que levanta ainda mais dúvidas sobre quem esteve por trás destas apostas.

O episódio junta-se a outros casos recentes que têm alimentado preocupações em Washington. Legisladores de ambos os partidos já propuseram alargar as regras sobre uso de informação privilegiada para abranger mercados de previsão.

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Até as próprias plataformas admitem a necessidade de maior regulação — num setor em crescimento, mas ainda envolto em zonas cinzentas.

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