Os sindicatos de médicos e enfermeiros em Itália pediram, esta quarta-feira, às autoridades que considerem levar o exército aos hospitais em resposta ao aumento de ataques de pacientes e seus familiares, o que tem provocado indignação em todo o país.
Um dos mais recentes, capturado em vídeo e amplamente partilhado nas redes sociais, médicos e enfermeiros foram forçados a barricar-se num quarto do hospital Policlinico em Foggia, na região sul de Puglia, na passada sexta-feira, depois de cerca de 50 familiares e amigos de uma mulher de 23 anos, que morreu após uma operação de urgência, se terem voltado contra a equipa médica – houve profissionais de saúde feridos.
Dois dias depois, o mesmo hospital relatou outro ataque, com um paciente a dar chutos e murros a três enfermeiros na urgência – também na terça-feira, igualmente em Puglia, um paciente agrediu um médico no hospital Francesco Ferrari, em Casarano, perto de Lecce.
Antonio de Palma, presidente nacional do sindicato Nursing Up, disse que ficou chocado com o aumento da violência. “Nos últimos 10 anos, tal escalada de brutalidade nunca foi documentada”, disse. “Nunca atingimos tal nível de perigo e agressividade. Apelamos urgentemente ao ministro do Interior para abordar a seriedade desta situação. Tornou-se imperativo considerar a implantação do exército em instalações de saúde. Não podemos mais esperar.”
Já a Federação Nacional das Ordens das Profissões de Enfermagem (Fnopi) condenou as”ações criminosas” contra os profissionais de saúde como “intoleráveis” e apelou à proteção das autoridades para garantir um ambiente de trabalho seguro. Loreto Gesualdo, presidente da Federação Italiana de Sociedades Médico-Científicas (FISM), propôs uma legislação para suspender o acesso gratuito a cuidados médicos por três anos para aqueles que agredirem profissionais de saúde ou danificarem instalações de saúde.
De acordo com a FISM, foram relatados mais de 16 mil ataques, verbais e físicos, contra médicos e enfermeiros em hospitais italianos somente em 2023.
No ano passado, um homem de 62 anos foi condenado a 16 anos de prisão por assassinar um médico em 2022 com um machado do lado de fora do hospital Policlínico San Donato, em Milão, porque, segundo ele, os tratamentos prescritos foram inúteis.
Due ore fa', il personale sanitario del Policlinico di Foggia è stato aggredito con calci e pugni dai parenti di una ragazza di 23 anni di Cerignola, deceduta durante un intervento chirurgico. pic.twitter.com/8WXOVi3epr
— Luigi Basemi 🏅 (@LBasemi) September 6, 2024






