A popularidade do presidente russo, Vladimir Putin, estará a sofrer uma quebra significativa, com a chamada “taxa real” de aprovação a cair abaixo dos 30% pela primeira vez desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia.
De acordo com o Kyiv Post, dados divulgados a 10 de abril indicam que o apoio ao líder do Kremlin está em declínio, refletindo um desgaste crescente entre a população russa.
O instituto estatal russo VtsIOM aponta que a taxa oficial de aprovação de Putin desceu para 67,8% na semana terminada a 5 de abril – o valor mais baixo desde fevereiro de 2022. Este número representa uma descida de quase cinco pontos percentuais no último mês e cerca de 10 pontos face ao final de 2025.
Ainda assim, os dados considerados mais reveladores são os das sondagens de “resposta aberta”, nas quais os cidadãos indicam espontaneamente em quem confiam. Neste indicador, a confiança em Putin caiu para 29,5%, um recuo expressivo face aos 48,8% registados em março de 2024 e muito distante do pico de 71% alcançado em 2015.
Especialistas alertam que os números oficiais podem não refletir apoio genuíno. Para alguns analistas, estes resultados mostram sobretudo quantas pessoas não têm receio de expressar oposição ao presidente.
Guerra e economia pressionam opinião pública
A erosão do apoio a Putin é atribuída a vários fatores, com destaque para o cansaço da guerra, as dificuldades económicas e o aumento do controlo estatal sobre a vida quotidiana.
De acordo com o Kyiv Post, especialistas sublinham também o impacto das restrições à internet, a frustração com a ausência de um acordo com os Estados Unidos e as consequências prolongadas do conflito na Ucrânia.
A guerra, aliás, está cada vez mais presente no quotidiano dos russos. Ataques com drones e incidentes em infraestruturas estratégicas, como refinarias, estão a aproximar o conflito das zonas mais centrais da Rússia, contribuindo para um desgaste progressivo da opinião pública.
Apoio à guerra também diminui
Os sinais de mudança não se limitam à popularidade de Putin. Um estudo do centro independente Levada revela que apenas 24% dos russos defendem a continuação das operações militares na Ucrânia – o valor mais baixo desde o início das sondagens.
Em contrapartida, 67% dos inquiridos consideram que este é o momento adequado para avançar com negociações de paz, um aumento face aos meses anteriores.
Este conjunto de indicadores sugere uma mudança gradual, mas consistente, no sentimento da população russa, com analistas a alertarem que esta tendência poderá ser difícil de inverter, mesmo com um reforço das medidas repressivas.




