Apoio a pais: Estado paga 825 euros de um salário de mil

As empresas vão suportar apenas um terço de salários e contribuições sociais habitualmente pagas.

Revista de Imprensa

O apoio que o Governo decidiu pagar, através da Segurança Social uma boa parte do salário dos pais que estejam a apoiar os filhos, em casa, vai significar um descréscimo de dois terços no que as empresas têm de gastar com os trabalhadores. ​​​Contas feitas, as empresas vão suportar apenas um terço de salários e contribuições sociais habitualmente pagas, noticia o “Diário de Notícias” (DN).

Para os trabalhadores também há perdas, mas vão ser ligeiramente minimizadas com eventuais mudanças de escalão devido à descida de rendimentos, adianta ainda o “DN”.

No caso de um trabalhador com um rendimento bruto de mil euros cujo agregado tenha dois dependentes, o seu rendimento líquido pode cair de 809 euros para 593,33 euros, segundo cálculos da consultora EY para o jornal. Apesar de a perda salarial bruta ser em um terço, esta encolhe em termos líquidos para 26,67% porque a redução do rendimento tem impacto na taxa de imposto retida na fonte. Neste caso, o rendimento passa a ficar isento de IRS; as contribuições para a Segurança Social mantêm-se em 11%.

Conclusão: o Estado vai recolher, em muitos casos, menos impostos de rendimentos do trabalho e a Segurança Social também receber menos em contribuições. O “DN” recorda que a medida de apoio prevê o pagamento de dois terços de salário aos trabalhadores (suportado em partes iguais por Segurança Social e empregadores), e que o empregador suporte apenas os 23,75% de taxa social única sobre metade dos rendimentos agora diminuídos (assim, na prática, agora já só um terço do valor habitual).

Segundo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, a medida de apoio aos pais poderá chegar até 750 mil famílias. A tutela adianta que a declaração necessária à formalização do pedido de apoio foi descarregada 140 mil vezes na última segunda-feira. O Governo estima gastar, para já, 294 milhões de euros.

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Contudo, há já denúncias de abusos. Os trabalhadores que recebam os apoios por assistência à família indevidamente estão sujeitos a uma multa até 12.500 euros, alertaram a Autoridade para as Condições do Trabalho e o Instituto da Segurança Social, através de comunicado conjunto.

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