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APESPE-RH: «Orçamento transparece fragilidades evidentes para os trabalhadores e empresas»

Afonso Carvalho, presidente da Associação Portuguesa das Empresas do Sector Privado de Emprego e Recursos Humanos (APESPE-RH), não tem dúvidas quanto às dificuldades em torno do novo Orçamento do Estado. Em entrevista à Executive Digest, sublinha que existe um desfasamento entre as previsões na base da sua construção e as condições que Portugal enfrentará, de facto, nos próximos anos.

De acordo com o responsável, trata-se de um documento com mecanismos importantes mas que «deixa transparecer fragilidades evidentes para os trabalhadores e para as empresas». A pandemia de COVID-19 será uma das justificações para este cenário, uma vez que adiciona um nível superior de incerteza à equação.

O que falta no Orçamento do Estado? Medidas que permitam a criação de emprego, mas também a formação e requalificação profissional. Faltam ainda soluções para melhorar a tesouraria e capitalização das empresas.

Acompanhe, em baixo, a entrevista na íntegra:

O novo Orçamento do Estado corresponde ao que a APESPE-RH esperava?

Existe um claro desfasamento entre as previsões que estão na base de construção deste orçamento e as mais que prováveis condições em que o país terá de operar nos próximos anos, o que só por si indicia que algo poderá não correr bem. A mensagem política que transparece está longe de ser pragmática, elucidativa e de consciencialização da realidade económica e social que nos espera. O orçamento contempla uma série de mecanismos importantíssimos para navegarmos nos próximos anos, mas deixa transparecer fragilidades evidentes para os trabalhadores e para as empresas.

Devido à pandemia de COVID-19, considera que este Orçamento do Estado é o mais difícil de executar?

Claramente que sim porque estamos a viver uma realidade extraordinária, sem precedentes o que torna o exercício orçamental muito complexo o mais que não seja porque a variável incerteza é inequivocamente a predominante.

Que medidas consideram essenciais e que não são contempladas no OE?

Medidas direccionadas para a criação de emprego, formação, qualificação e requalificação profissional e, por outro lado, medidas que objectivamente contribuam para a melhoria da tesouraria e para a capitalização das empresas nunca são demais. Uma medida, por exemplo, que a APESPE-RH considera crítica na fase em que estamos, são as parcerias público-privadas para a colocação no mercado de trabalho de jovens, pessoas com deficiência e desempregados de longa-duração. Até porque como temos reafirmado são políticas que aliviam o Estado e, mais importante ainda, permitem a estes grupos entrarem e/ou reentrarem no mercado de trabalho.

Que retrato traçam do sector neste momento? Quais são as principais consequências da pandemia que já se sentem?

Os sectores de atividade que representamos, nomeadamente Formação, Recrutamento e Selecção, Consultoria, Trabalho Temporário e Outsourcing, foram fortemente impactados pela pandemia sendo que alguns dificilmente recuperarão a médio/longo prazo – como a Formação e o Recrutamento e Secleção. Por outro lado, desde Junho que os indicadores do Trabalho Temporário e do Outsourcing já são de recuperação, o que indicia claramente a tentativa das empresas voltarem a uma certa normalidade.

Que balanço fazem das medidas já implementadas pelo Governo desde que a pandemia teve início?

O Governo tomou medidas importantes e críticas de forma atempada para tentar contrariar o impacto negativo que se reflectiu nas famílias, empresas e trabalhadores, o que permitiu minimizar, na medida do possível, um cenário que certamente seria mais dantesco. Falta agora, via Orçamento 2021 ou através de qualquer outro instrumento, garantir e dar continuidade de modo a que aqueles que mais estão e continuarão a sofrer estes impactos consigam ultrapassar este período da melhor forma.

Quais são os riscos/desafios que antecipam para o próximo ano?

Creio que o principal desafio, e que ao mesmo tempo acaba por ser o maior risco, é a incerteza que a pandemia provoca, a gestão das expectativas comparativamente às previsões e, por último, a gestão profissional, transparente e de longo prazo que será feita com a avultada e mais do que necessária soma de subsídios que Portugal irá receber da UE.

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