APESPE-RH: «Orçamento transparece fragilidades evidentes para os trabalhadores e empresas»

Afonso Carvalho, presidente da APESPE-RH, não tem dúvidas quanto às dificuldades em torno do novo Orçamento do Estado.

Filipa Almeida

Afonso Carvalho, presidente da Associação Portuguesa das Empresas do Sector Privado de Emprego e Recursos Humanos (APESPE-RH), não tem dúvidas quanto às dificuldades em torno do novo Orçamento do Estado. Em entrevista à Executive Digest, sublinha que existe um desfasamento entre as previsões na base da sua construção e as condições que Portugal enfrentará, de facto, nos próximos anos.

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De acordo com o responsável, trata-se de um documento com mecanismos importantes mas que «deixa transparecer fragilidades evidentes para os trabalhadores e para as empresas». A pandemia de COVID-19 será uma das justificações para este cenário, uma vez que adiciona um nível superior de incerteza à equação.

O que falta no Orçamento do Estado? Medidas que permitam a criação de emprego, mas também a formação e requalificação profissional. Faltam ainda soluções para melhorar a tesouraria e capitalização das empresas.

Acompanhe, em baixo, a entrevista na íntegra:

O novo Orçamento do Estado corresponde ao que a APESPE-RH esperava?

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Existe um claro desfasamento entre as previsões que estão na base de construção deste orçamento e as mais que prováveis condições em que o país terá de operar nos próximos anos, o que só por si indicia que algo poderá não correr bem. A mensagem política que transparece está longe de ser pragmática, elucidativa e de consciencialização da realidade económica e social que nos espera. O orçamento contempla uma série de mecanismos importantíssimos para navegarmos nos próximos anos, mas deixa transparecer fragilidades evidentes para os trabalhadores e para as empresas.

Devido à pandemia de COVID-19, considera que este Orçamento do Estado é o mais difícil de executar?

Claramente que sim porque estamos a viver uma realidade extraordinária, sem precedentes o que torna o exercício orçamental muito complexo o mais que não seja porque a variável incerteza é inequivocamente a predominante.

Que medidas consideram essenciais e que não são contempladas no OE?

Medidas direccionadas para a criação de emprego, formação, qualificação e requalificação profissional e, por outro lado, medidas que objectivamente contribuam para a melhoria da tesouraria e para a capitalização das empresas nunca são demais. Uma medida, por exemplo, que a APESPE-RH considera crítica na fase em que estamos, são as parcerias público-privadas para a colocação no mercado de trabalho de jovens, pessoas com deficiência e desempregados de longa-duração. Até porque como temos reafirmado são políticas que aliviam o Estado e, mais importante ainda, permitem a estes grupos entrarem e/ou reentrarem no mercado de trabalho.

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Que retrato traçam do sector neste momento? Quais são as principais consequências da pandemia que já se sentem?

Os sectores de atividade que representamos, nomeadamente Formação, Recrutamento e Selecção, Consultoria, Trabalho Temporário e Outsourcing, foram fortemente impactados pela pandemia sendo que alguns dificilmente recuperarão a médio/longo prazo – como a Formação e o Recrutamento e Secleção. Por outro lado, desde Junho que os indicadores do Trabalho Temporário e do Outsourcing já são de recuperação, o que indicia claramente a tentativa das empresas voltarem a uma certa normalidade.

Que balanço fazem das medidas já implementadas pelo Governo desde que a pandemia teve início?

O Governo tomou medidas importantes e críticas de forma atempada para tentar contrariar o impacto negativo que se reflectiu nas famílias, empresas e trabalhadores, o que permitiu minimizar, na medida do possível, um cenário que certamente seria mais dantesco. Falta agora, via Orçamento 2021 ou através de qualquer outro instrumento, garantir e dar continuidade de modo a que aqueles que mais estão e continuarão a sofrer estes impactos consigam ultrapassar este período da melhor forma.

Quais são os riscos/desafios que antecipam para o próximo ano?

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Creio que o principal desafio, e que ao mesmo tempo acaba por ser o maior risco, é a incerteza que a pandemia provoca, a gestão das expectativas comparativamente às previsões e, por último, a gestão profissional, transparente e de longo prazo que será feita com a avultada e mais do que necessária soma de subsídios que Portugal irá receber da UE.

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