Apenas 15,5% das regiões costeiras do mundo estão biologicamente intactas, alertam especialistas, que exigem ações de conservação imediatas para preservar o que resta e reabilitar locais que foram danificados. Um estudo, liderado por académicos da Universidade de Queensland, na Austrália e publicado na revista científica ‘Conservation Biology’, examinou, através de dados de satélite, o efeito da atividade humana nas costas de todo o mundo.
Desde 2013, o ano mais recente que os dados estavam disponíveis, poucos litorais inteiros permaneciam intactos – as pequenas áreas costeiras que escaparam aos efeitos da pesca, agricultura, desenvolvimento urbano, mineração e estradas estão principalmente no Canadá, com Rússia, Gronelândia, Chile, Austrália e Estados Unidos logo atrás.
Nas nações insulares, incluindo grande parte da Europa, e países como Vietname, Índia e Singapura, havia poucas áreas não danificadas e, em muitos casos, graus severos de degradação. A maior pressão humana foi observada em áreas costeiras com ervas marinhas, savana e recifes de coral.
Como a maioria da população mundial vive em zonas costeiras, o stress nestes ecossistemas pode assumir várias formas e ocorrer tanto em terra como no mar, segundo Brooke Williams, principal autor do estudo e ecologista conservacionista da Universidade de Queensland. “O nosso relatório é um forte argumento para a reabilitação da região costeira”, afirmou. “É preocupante que uma percentagem tão pequena esteja na extremidade superior da escala de integridade. Não são boas notícias”, reforçou, salientando que a situação não mudou desde 2013.
A pegada humana (que analisou os ecossistemas terrestres) e o índice cumulativo de pressão humana foram usados para criar a análise costeira (que examinou as pressões em ambientes marinhos) – as pressões foram mapeadas a uma distância de 50 quilómetros em ambos os lados da costa.
As áreas que ainda estavam totalmente intactas, de acordo com Williams, eram geralmente mais distantes e, portanto, mais difíceis de visitar. De acordo com o coautor James Watson, da Universidade de Queensland, o afastamento por si mesmo não garante que as costas permaneçam intocadas, citando a mineração e, em particular, a pesca como negócios que estão a causar perdas ambientais nessas áreas. “Surpreende-me como a pesca é difundida. Está em todo o lado, não há como escapar. Podem ser observados os impactos da pesca em várias partes distantes da Terra.”
Proteger as costas do mundo, de acordo com os responsáveis do estudo, exigiria uma variedade de ações, incluindo leis para proteger áreas inteiras e esforços de restauração para reabilitar aquelas que foram deterioradas.











