Vladimir Putin tem levantado questões sobre a veracidade das suas reuniões. Na última quarta-feira, o Kremlin relatou que o presidente russo visitou um hospital para encontrar militares feridos na guerra da Ucrânia. Acompanhado pelo ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, foram amplamente divulgadas as imagens pelos órgãos de comunicação social controlados pelo Kremlin do presidente russo a apertar as mãos dos feridos no hospital militar Madryk, em Moscovo. Mas terá sido mesmo assim?
Putin met with a wounded soldier who, by a strange coincidence, was also a factory worker he previously met. pic.twitter.com/hz4q2EJzFx
— Adam Rang 🇪🇪🇺🇦 (@adamrangpr) May 26, 2022
Os utilizadores das redes sociais não ‘perdoaram’ a sugestão de déjà vu. “Putin encontrou-se com um soldado ferido que, por uma estranha coincidência, também era operário de fábrica que havia conhecido anteriormente”, apontou Adam Rang, um voluntário de anti-desinformação que acompanha as mensagens do Kremlin.
A Rússia aprovou leis duras nas quais os condenados por propagar “notícias falsas” sobre os militares do país podem enfrentar penas de prisão de até 15 anos. Durante anos, a especulação cresceu sobre se as oportunidades de fotos com o líder russo que pretendiam destacar as suas credenciais como um homem do povo eram encontros genuínos ou operações de relações públicas encenadas que envolviam membros do Serviço Federal de Proteção.
Em agosto de 2021, o jornal independente ‘Novaya Gazeta’ relatou como uma visita de Putin a uma fábrica de cimento na república russa do Bascortostão pode não ter sido tudo o que se dizia. Alguns moradores apontaram que três dos funcionários que posaram ao lado de Putin eram na realidade funcionários da administração local. Em agosto de 2017, os utilizadores das redes sociais também notaram a semelhança entre os retratados ao lado de Putin no Mosteiro Yuriev em Novgorod e indivíduos que cercaram o líder russo numa expedição de pesca e em outros eventos.
Essas imagens também foram partilhadas por Rang, que disse que o aparecimento de indivíduos ligados ao regime que posam em diferentes papéis está bem documentado há décadas – as imagens são conhecidas como ‘konservi’, ou seja, ‘conservas’. “Apesar do enorme investimento em propaganda do regime de Putin, às vezes é surpreendentemente fácil identificar maneiras de provar como as suas aparições nos media foram encenadas”, explicou Rang à revista ‘Newsweek’. “É difícil falsificar a autenticidade quando, por exemplo, se tem pavor de conhecer cidadãos russos comuns.”
“Pode ser bastante eficaz na maioria das vezes para um público doméstico no qual o escrutínio é severamente restrito mas também destaca a realidade de um ditador autoritário, inseguro e fora de contacto que fica mais à vontade no final de mesas comicamente longas”, finalizou.
Some people have their doubts. It’s not conclusive but it does seem to be the same person – and there’s certainly nothing new about that tactic from Putin. See below. There was even a rioter in 2007 in Estonia who popped up as a protestor in Ukraine’s Donbas in 2014. pic.twitter.com/i1HfjQ29CU
— Adam Rang 🇪🇪🇺🇦 (@adamrangpr) May 26, 2022
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