Apagão: “Portugal tem mecanismo de proteção do sistema muito melhor do que Espanha”, garante ministra

A ministra do Ambiente e Energia disse hoje no parlamento que Portugal tem um “mecanismo de estabilidade e proteção do sistema muito melhor que em Espanha”.

Executive Digest com Lusa

A ministra do Ambiente e Energia disse hoje no parlamento que Portugal tem um “mecanismo de estabilidade e proteção do sistema muito melhor que em Espanha”.


Na audição na Comissão de Ambiente e Energia, no âmbito do grupo de trabalho sobre o apagão de 28 de abril de 2025, Maria da Graça Carvalho sustentou essa leitura com base no relatório da ENTSO-E – Rede Europeia de Gestores de Redes de Transporte de Eletricidade -, validado pela ACER — Agência de Cooperação dos Reguladores da Energia da União Europeia.


Segundo a ministra, o documento confirmou que “o apagão teve origem em Espanha – e não em Portugal – e propagou-se ao nosso país e a uma pequena região da França”, concluindo que o incidente teve na origem “uma sucessão de falhas técnicas iniciadas no território espanhol”, associadas “essencialmente ao controle de tensão insuficiente”.


A governante defendeu que uma das conclusões mais importantes do relatório é a de que Portugal já tinha em funcionamento mecanismos de proteção que faltavam no sistema espanhol.


“Ficou bem claro nesse relatório, e é uma das recomendações, que temos um mecanismo de estabilidade e proteção do sistema muito melhor que em Espanha”, afirmou.

Continue a ler após a publicidade

Como exemplo, a ministra disse que Portugal implementou em 2020 a exigência de que todas as novas centrais eólicas e solares tenham “um mecanismo de controle de tensão”, sistema que, afirmou, “a Espanha não tinha”.


“Acho que este é um grande ponto de proteção nossa e foi uma falha de Espanha”, porque, “principalmente no solar, não tinham este mecanismo de controle de tensão nas centrais”, sustentou.


A ministra referiu ainda uma diferença nos limites de tensão aplicados nos dois países, dizendo que “o limite de tensão a nível europeu é geralmente 420 kV e nós temos esse limite”, enquanto Espanha beneficiou de uma derrogação da Comissão Europeia que lhe permite operar até aos 435 kV.

Continue a ler após a publicidade

Segundo afirmou, esse trabalho “no limite”, somado à ausência de mecanismos de controlo de tensão em centrais solares, esteve na origem da falha que desencadeou o apagão.


“Isto estava dito nas entrelinhas no relatório da ENTSO-E. Este foi o real motivo, na minha opinião, e que está lá no relatório”, declarou.


A governante acrescentou que esta é uma das 23 recomendações formuladas no relatório europeu e afirmou que, no caso português, 90% já estão implementadas ou em curso.


Entre as recomendações ainda a reforçar, apontou a necessidade de mais partilha de dados, atualização periódica dos planos de deslastre, realização mais frequente de testes aos sistemas de ‘blackstart’ – arranque autónomo de centrais sem apoio externo da rede – e uma maior cooperação com Espanha na criação de cenários de reposição.


A ministra destacou também uma recomendação relativa à autonomia dos sistemas críticos, sublinhando a necessidade de garantir pelo menos 24 horas de funcionamento autónomo em serviços essenciais.

Continue a ler após a publicidade

Segundo disse, isso já foi sendo reforçado “nos hospitais”, embora tenha admitido que “pequenas unidades ainda faltam”, defendendo a mesma lógica para lares, bombeiros e outras estruturas de socorro e emergência.


Na mesma audição, a ministra rejeitou que o apagão de abril possa ser explicado pela presença de produção renovável no sistema elétrico.


“Esta questão não foi das renováveis, aliás, o problema foi em Espanha e Espanha tem centrais nucleares a funcionar”, afirmou.


Ainda assim, reconheceu que a transformação do sistema elétrico europeu, com mais autoconsumo, comunidades de energia e produção distribuída, tornou a rede mais complexa e exigente do ponto de vista da gestão.


A responsável acrescentou ainda que foi criado um Grupo de Aconselhamento Técnico (GAT), cujo relatório “está pronto” e será publicado no próximo dia 28 de abril, e reiterou que o objetivo é tornar o sistema menos vulnerável a falhas e mais rápido na recuperação.



SCR // JNM


Lisboa/Fim

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.