Apagão em Portugal: um ano depois, país continua vulnerável e Lisboa em risco

Desde janeiro de 2026, novas centrais hidroelétricas juntaram-se à rede com capacidade de “blackstart”, permitindo, em teoria, uma recuperação mais rápida em caso de falha total do sistema elétrico

Francisco Laranjeira

Um ano depois do apagão que deixou Portugal às escuras durante cerca de 12 horas, a capacidade de resposta do país melhorou… mas continua longe de garantir segurança total, sobretudo na Grande Lisboa.

A análise, avançada pela revista ‘Sábado‘, mostra que houve avanços — nomeadamente no reforço de centrais de “blackstart” —, mas persistem fragilidades críticas em setores essenciais como saúde, prisões, telecomunicações e abastecimento de água.

Mais centrais, mas Lisboa continua exposta

Desde janeiro de 2026, novas centrais hidroelétricas juntaram-se à rede com capacidade de “blackstart”, permitindo, em teoria, uma recuperação mais rápida em caso de falha total do sistema elétrico.

Ainda assim, especialistas alertam que o problema estrutural se mantém: a ausência de uma fonte próxima da Grande Lisboa.

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“Geograficamente continuamos mais ou menos na mesma”, avisa o engenheiro Gonçalo Aguiar, sublinhando que a capital poderá voltar a ser uma das últimas regiões a recuperar energia num novo apagão.

Hospitais reforçam… mas sem estratégia nacional clara

Na área da saúde, algumas unidades reforçaram a capacidade dos geradores — como a Maternidade Alfredo da Costa, que aumentou significativamente a autonomia após ter estado perto do colapso em 2025.

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No entanto, não existe um levantamento nacional claro e há centros de saúde que continuam sem geradores próprios.

Administradores hospitalares admitem falhas e apontam para a ausência de coordenação central como um dos principais problemas.

Prisões e segurança: falhas persistem

O sistema prisional continua a apresentar fragilidades graves: seis estabelecimentos não têm qualquer fonte alternativa de energia.

Num cenário de apagão, sistemas essenciais como videovigilância e comunicações ficam inoperacionais, levantando riscos de segurança.

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Água e telecomunicações ainda dependentes da rede

O abastecimento de água continua sem autonomia prolongada, com investimentos ainda dependentes de autorizações governamentais.

Já nas telecomunicações, as operadoras reforçaram sistemas de backup, mas admitem limitações. Em muitos casos, a autonomia varia entre poucas horas, ficando dependente do acesso a combustível para geradores.

Semáforos, multibanco e vida urbana em risco

Um dos problemas mais visíveis mantém-se: os semáforos. Em Lisboa, apenas 5% da rede está a ser testada com sistemas de energia de emergência — e mesmo assim com autonomia de cerca de uma hora.

Também os sistemas de pagamento eletrónico e multibanco continuam vulneráveis, com falta de garantias sobre o funcionamento em caso de falha prolongada.

Investimento existe… mas é insuficiente

O Governo anunciou um pacote de 400 milhões de euros após o apagão de 2025, incluindo investimento em baterias e redundância energética.

Apesar disso, especialistas consideram que o ritmo de execução é lento e que o país continua atrasado, agravado por instabilidade política e mudanças constantes de estratégia.

Um ano depois, a conclusão é clara: Portugal está mais preparado do que em 2025 — mas não o suficiente.

A falta de coordenação, investimento desigual e ausência de fiscalização eficaz deixam o país exposto a um novo apagão, com impactos potencialmente semelhantes.

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