O secretário de estado da saúde, António Sales, refere na conferência de imprensa diária desta quarta-feira da Direcção Geral da Saúde (DGS), que «Portugal está em estado de emergência e vai continuar, depois deste ser levantado, a ter de lidar com esta emergência, a pandemia vai continuar a fazer parte das nossas vidas».
«O SNS24 continua a ser porta de entrada no Serviço Nacional de Saúde», não só para doentes suspeitos da Covid-19, mas também para outros casos. A linha atende cerca de sete mil chamadas por dia, com 30 segundos de tempo médio de espera, segundo António Sales.
O secretário de estado da saúde tem consciência que não pode ser descurada uma segunda vaga do surto, sendo por isso necessário reforçar o Serviço Nacional de Saúde (SNS), com um calendário que «em altura oportuna será anunciado pela ministra da saúde», refere dizendo que «preocupa-nos tudo, não queremos estar desprevenidos numa eventual segunda vaga».
«Temos um sistema que nos permite fazer uma reprogramação da actividade», revela António Sales. De uma forma geral houve uma diminuição dos serviços de saúde, à excepção das consultas presenciais em centros de saúde e também dos doentes operados, segundo o responsável. Se o SNS ultrapassar a sua capacidade terá de recorrer aos privados, revela António Sales.
O SNS tem uma capacidade global de camas de cerca de 21.500: 11 mil de especialidades médicas e nove mil de cirúrgicas, segundo o responsável, que refere actualmente existem mil pessoas internadas e 86 em domicilio, «o que nos confere algum conforto de decisões no que diz respeito à capacitação do SNS», afirma António Sales.
O responsável refere ainda que a violência doméstica «não pode ficar esquecida em tempos de Covid-19». Desde o início de Março foi posto em prática um plano de contingência, em que para além de uma campanha social massiva, existem casas de abrigo disponíveis para acolher quem precisa.
De 6 a 27 de Abril, foram acolhidas 50 vítimas, segundo o responsável. Foi ainda criada uma outra linha gratuita que presta apoio às vítimas e é anónima. Deste o dia 27 de Março já recebeu 123 pedidos de apoio, segundo António Sales que indica que foi registado um decréscimo de 39% do número de ocorrências de violência doméstica.
Daniela Machado, do Programa Nacional de Prevenção da Violência no Ciclo da vida, este presenta na conferência dizendo que o SNS tem feito um reforço da formação, capacitação e actuação dos profissionais, criando respostas que passam por equipas de psicólogos, médicos, entre outros, com um total de 452 equipas em todo o país e na região autónoma dos Açores. «A violência doméstica é um crime de natureza pública que tomos temos o dever de denunciar», afirma.
Na conferência estava também a directora geral da saúde, Graça Freitas, que voltou a reforçar o apelo para que não seja descurada a vacinação. «Veja se o seu filho tem o boletim em dia e dirija-se ao centro de saúde. É seguro. Vacine-se e vacine os seus».
A responsável refere também que as medidas de confinamento fizeram com que «a onda fosse aplanada e tenha agora uma tendência descendente», por isso é necessário «ter capacidade de monitorizar bem a evolução da epidemia no levantamento de medidas».
Relativamente às mortes, Graça Freitas volta a sublinhar que ninguém pode ser enterrado sem um certificado de óbito. «Independentemente do local da morte, ela é sempre registada», seja em ambiente hospitalar, em casa ou em lares. 93% dos óbitos ocorreram em hospitais, 4% em lares e 3% em domicílio, segundo Graça Freitas.
Em relação à descoberta de uma inflamação respiratória rara nas crianças, Graça Freitas refere que têm conhecimento e que os pediatras «estão atentos», mas não existe reporte de nenhuma situação semelhante em Portugal, até à data.
Existem contactos próximos de doentes em vigilância activa pelas autoridades de saúde, para garantir que não contraem o vírus. O que está estabelecido é que as autoridades de saúde forneçam às autoridades policiais listas com os respectivos domicílios para garantir que as pessoas cumprem o dever de confinamento. «De um modo geral esta acção corre de forma exemplar», segundo Graça Freitas.
Portugal regista actualmente 24.505 casos de infecção pelo novo coronavírus, uma subida de 183 face ao dia anterior e ainda cerca de 973 vítimas mortais, de acordo com dados do boletim epidemiológico divulgado há instantes pela DGS.





