António Ramalho: “Questiono-me se devemos analisar a importância de Portugal para o Plano Draghi, ou a importância deste para Portugal”

O gestor António Ramalho realizou no palco da Cultugest uma análise ao Plano Draghi e apontou qual a importância de Portugal para este cenário. No entanto, traça também vários desafios.

André Manuel Mendes
Abril 1, 2025
10:56

O gestor António Ramalho realizou no palco da Cultugest uma análise ao Plano Draghi e apontou qual a importância de Portugal para este cenário. No entanto, traça também vários desafios.

António Ramalho começa por analisar que, em todas as páginas deste relatório, Portugal aparece referenciado apenas duas vezes, referindo-se à fraca política energética do país, e pela vantagem do lítio em território nacional.



“Questiono-me se devemos analisar qual a importância de Portugal para o Plano Draghi, ou se qual deveria ser a importância do Plano Draghi para Portugal”, sublonhou.

O gestor explicou que a União Europeia representa 17% do PIB mundial, mas está praticamente estagnada os últimos 25 anos. Por outro lado, os EUA cresceram perto de 2% e a China cerca de 8% no mesmo período.

Para António Ramalho, temos um grande problema nos últimos anos que está relacionado com o facto de não termos acompanhado a revolução tecnológico, que tem contribuído fortemente a nível mundial para o aumento do PIB.

E quais os três motivos integrados? A necessidade de reduzir o Inovation GAP, apostando na produtividade com a digitalização e a IA; a necessidade de descarbonização e competitividade, apostando em custos de energia competitivos e na eliminação da assimetria nos programas de descarbonização; e ainda a postas na Defesa e na redução das dependências, pois temos um nível de despesa insuficiente nesta área, embora a posição europeia neste setor seja preponderante.

Além disso, “o Plano Draghi reconhece outras insuficiências estruturais pouco discutidas regularmente”, destaca António Ramalho.

O primeiro é que temos um modelo de financiamento publico e privado muito diferente dos EUA, e também muito débil. Neste contexto, assinada a falta de poupança no mercado de capitais, a inexistência de um orçamento comum e de um financiamento correspondente, e ainda o facto de não termos uma união bancária.

A isto acresce o modelo de fragmentação política, devido à existência de Estados concorrentes, havendo uma necessidade de uma governação comum em certas áreas bem como a definição de desígnios conjuntos.

Por último, assinala a importância de renovação do modelo de governação na UE, promovendo a prioridade ao consenso e a governação por países e a compensação burocrática.

O gestor termina a sublinhar que o Plano Draghi “anda à procura da competitividade perdida da europa, mas é um plano que merece alguma reflexão sobre o modelo que a Europa foi construindo”.

A XXVIII Conferência Executive DIgest conta com o apoio da Caixa Geral de Depósitos, Capgemini, Delta Q, Fidelidade, Galp, Lusíadas Saúde, Randstad, MC Sonae, Unilever, Vodafone, e ainda com a parceria da Capital MC, Neurónio Criativo, Sapo. A Sociedade Ponto Verde é o Parceiro de Sustentabilidade do evento.

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