António Mexia: “Estamos a liderar a transição energética”

A EDP está a investir 12 mil milhões de euros até 2022, dos quais 75% em energias renováveis. Tudo para ser líder destacada na transição que está a acontecer no sector energético

Maria João Vieira Pinto

No 7.º piso do edifício-sede da EDP, em Lisboa, respira-se Arte. Fotografias e telas em todas as paredes combinam com mobiliário de designers de todo o Mundo. Porque António Mexia, o presidente da eléctrica, acredita que é na fusão de vários mundos que se consegue maior qualidade e que ambientes positivos ajudam a construir colaboradores mais motivados. Por isso, mesmo em dia cinzento na capital, a luz que chega da frente de rio e passa por todas as paredes de vidro, mostra bem um executivo de sorriso rasgado. António Mexia defende uma gestão aberta e transparente, precisamente como as paredes do edifício onde, no dia em que sair, deixará a sua marca. E marca essa que, de momento, leva o nome de transição energética.

Descarbonização, digitalização e descentralização são os “3 D’s” que regem a empresa e constam no seu Plano Estratégico, até 2022. Para isso, e conforme já anunciado, confirma o investimento de 12 mil milhões de euros «dos quais 75% em energias renováveis», sendo que parte do valor chegará da venda de activos, como as barragens: «É importante que a EDP acentue este reequilíbrio da sua carteira de activos, entre aquilo que tem no mercado ibérico e fora. Os principais motores de crescimento, hoje, são claramente o Brasil e as renováveis – em particular nos EUA», sublinha.

No meio de todo este esforço, outro pilar é a inovação e a incubação de startups nacionais e internacionais. Até porque, como destaca António Mexia, «vender electricidade per se será uma componente cada vez menor da oferta. É fundamental estar permanentemente a inovar e para isso é crítico desenvolver um ecossistema de inovação aberta para fazer sourcing das melhores ideias e potenciá-las ao invés de as internalizar».

O plano estratégico até 2022, anunciado em Londres este ano, prevê a venda de activos e um reforço de investimento nas renováveis. Quais os principais objectivos?

Estamos a liderar na indispensável transição energética. A EDP mantém objectivos ambiciosos assentes numa política de investimento focada, de risco controlado e garantindo opcionalidade. É com essas ambições em vista que continuamos a reforçar o nosso investimento em renováveis para ter mais de 90% de energia produzida a partir de fontes limpas no final da próxima década. Isso passa por uma aposta clara na energia eólica e solar e por garantir uma produção livre de carvão. O nosso plano prevê um crescimento acelerado e focado, envolvendo investimentos na ordem dos 12 mil milhões de euros até 2022, dos quais 75% em energias renováveis. Contamos triplicar a capacidade de produção (em MW por ano) face ao business plan anterior apostando ainda numa contínua optimização do nosso portefólio. Temos em curso um plano de rotação de activos, num total de 4 mil milhões de euros, com o objectivo de acelerar crescimento orgânico e cristalizar valor. Também temos prevista a venda de activos na Península Ibérica, no valor de dois mil milhões de euros. Esta medida permitirá reduzir, por um lado, o risco regulatório do nosso portefólio e, por outro, a dívida do grupo.

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Entretanto, o Estado chinês acaba de se desfazer da posição de quase 5% que tinha na EDP, com a CNIC a proceder à venda acelerada de acções… Que reflexo para a companhia e que relevância para a operação nos EUA, onde a EDP é das maiores empresas de renováveis?

Não costumo comentar entradas e saídas de accionistas. No entanto, na minha opinião, esta redução de um accionista – que não é a CTG – é o resultado natural daquilo que foi a decisão da Assembleia Geral em relação aos limites de voto. Há um limite de quota de 25%, o que fazia com que os votos imputados ao mesmo accionista, neste caso o estado chinês, não pudessem assumir um peso superior, quota essa que a Assembleia Geral decidiu manter. A companhia foi capaz, mesmo durante o período da OPA, de apresentar um Plano Estratégico ao mercado. Plano esse que mereceu o apoio  de todos os accionistas, incluindo a CTG. Ou seja, o plano que guia hoje a empresa foi aprovado por todos. Nada muda.

Como fica o plano de venda das barragens?

A venda das barragens é uma hipótese, entre outras, de redução de exposição ao mercado ibérico. E que tem que ver com o facto de ser necessário que a EDP acentue este reequilíbrio da sua carteira de activos, entre aquilo que tem no mercado ibérico e fora. Os principais motores de crescimento, hoje, são claramente o Brasil e as renováveis – em particular nos EUA. Há que arranjar recursos para este reequilíbrio. Mas em tudo aquilo que tem que ver com a nossa área, nomeadamente as renováveis – como foi o caso do solar em Portugal, em que participámos e onde ganhámos um dos lotes grandes – estamos comprometidos com a questão da transição energética. E, também, em Portugal.

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O que temos é zonas onde a nossa quota de mercado é muito grande, pelo que vemos como natural esta evolu- ção de reequilíbrio de activos entre a Península Ibérica e fora. Pode ser Portugal ou Espanha…

A barragem de Fridão está então completamente fora de questão!

A EDP nunca mostrou abertura para não construir Fridão sem ser ressarcida do investimento realizado. A EDP disponibilizou-se para uma análise conjunta com o Estado com o objectivo de encontrar uma solução que se adequasse melhor ao contexto actual e aos interesses em presença. Se Fridão está fora de questão é por decisão do Governo, não é uma decisão nossa. O Governo decidiu que a barragem de Fridão não podia ser feita. A EDP tem mantido a consistência em querer a aplicação da Lei e dos contratos. É isso que tem guiado a companhia desde sempre. Claro que qualquer uma das partes do contrato tem o direito a decidir o que quiser, dentro do espírito desse mesmo contrato e assumindo as consequências de alteração unilateral do mesmo. Nós cumprimo-lo.

A EDP está em diferentes geografias, 16 países, e muito concentrada na América do Norte e Europa, a olhar para a água, o vento e o sol. Estão a transformar outra vez a companhia? Em que sentido?

Há 12 anos a EDP fez uma aposta diferenciadora em energias renováveis, em especial a eólica, quando estas ainda eram uma tecnologia incipiente. Há muito também que a EDP aposta na diversificação geográfica e tecnológica, e a expansão no mercado norte-americano nos últimos anos é reflexo disso mesmo, sendo hoje o principal motor de crescimento internacional da EDP – 40% do nosso investimento até 2022 será nesse mercado. Essa expansão apoiou-se, e continua a sustentar-se, fortemente no investimento em energias renováveis. Passámos de empresa regional para player global e líder em renováveis. Somos a segunda utility mais “verde” da Europa, com 65% do nosso EBITDA proveniente de fontes renováveis, e estamos no Top 4 mundial de eólica onshore.

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O que estamos a fazer não é a transformar a companhia, mas sim a reforçar o nosso posicionamento enquanto líderes na descarbonização da economia. O nosso caminho passa pela inovação e sustentabilidade, que hoje são sinónimos de competitividade.

O sector energético está a atravessar a revolução da descentralização e da digitalização. Como é que esses processos influenciam a forma como a EDP se relaciona com os consumidores? 

O consumidor assume o papel central na cadeia de valor e é mais exigente e participativo. O cliente assume-se como prosumer ao mostrar apetite por produzir, armazenar e consumir a sua energia de forma mais autónoma e customizada. O que fazemos pretende ir ao encontro das necessidades e prioridades deste novo perfil de cliente que quer um estilo de vida sustentável e fazer parte de uma nova geração verde. É uma das nossas responsabilidades contribuir para que isso aconteça.

Nesse sentido, temos desenvolvido soluções, como os serviços de eficiência energética, das aplicações EV.x, Re:dy entre outras. Permanecemos focados em aprofundar este tipo de ofertas, tendo o objectivo de ter um milhão de clientes em mobilidade eléctrica e mais de quatro milhões de painéis solares descentralizados até 2030.

A EDP é um dos maiores players mundiais de energia renovável e é o 4.º maior produtor de energia. Sendo actualmente o solar o maior activo em termos de resultados, haverá reforço a este nível?

O solar é cada vez mais relevante, tem uma visibilidade crescente e pretendemos aumentar o nosso portefólio em cerca de 1.5 a 2 GW até 2022. No entanto, também queremos continuar a crescer noutras tecnologias. Na eólica onshore já temos um pipeline significativo e devemos adicionar entre 5 e 5.5 GW ao nosso portefólio até 2022 – Portugal tem hoje uma capacidade instalada total de cerca de 20 GW. O futuro das renováveis passará também pela tecnologia offshore, um segmento essencial para a transição energética onde estamos a construir um portefólio com oportunidades de crescimento diversificadas mantendo um perfil de risco equilibrado. Estas tecnologias estão cada vez mais maduras e competitivas.

Nos últimos dois meses garantimos vários contratos relevantes, como o projecto eólico Mayflower (804 MW, em parceria com a Shell), para vender energia ao Estado de Massachusetts, havendo já outros projectos em curso. Temos também apostado na conjugação de várias tecnologias incluindo a solar, a que chamamos hibridização, para aumentar o potencial dos nossos projectos. Aqui a inovação tem sido um key driver e exemplo disso é o recente projecto-piloto do fotovoltaico flutuante na albufeira da barragem do Alto Rabagão, que permite aliar a produção hídrica e solar no mesmo espaço. Este projecto tem suscitado o interesse de várias entidades internacionais e esperamos replicá-lo em breve, numa escala muito maior, na albufeira do Alqueva. Isso comprova que devemos manter-nos abertos e atentos às novas tendências do sector.

Para além dos trabalhos que apresentou em Londres, aquando da partilha do Plano Estratégico, que novos passos planeiam para serem a “mais verde das verdes”?

A EDP foi reconhecida recentemente pelo Dow Jones Sustainability Index como número 1 do mundo entre as utilities integradas. Nessa mesma semana, e respondendo a um desafio da ONU, subscrevemos o “Business Ambition for 1,5ºC”, sendo a única empresa portuguesa, entre 87 grandes companhias, a assumir esse compromisso de conter o aumento da temperatura do planeta até 1,5ºC. Também subscrevemos o Pacto de Mobilidade Corporativa, uma iniciativa que pretende envolver as empresas na criação e aplicação de soluções que ajudem a criar cidades sustentáveis, como é o caso de Lisboa, que tomou a iniciativa neste pacto. A estas acções juntam-se outras que a EDP também subscreveu na área da transição energética, como é o caso do ‘Three Percent Club’, onde se compromete a apoiar um conjunto de países, incluindo Portugal, a alcançar 3% de ganhos de eficiência energética por ano. Todas estas iniciativas vêm reforçar o compromisso da EDP em promover um mundo mais sustentável.

A EDP também se tem envolvido em projectos que ajudam no combate à exclusão. Pode destacar alguns?

O futuro será eléctrico. A transição energética deve ser justa e inclusiva quer em países desenvolvidos quer em países em desenvolvimento. Nos países desenvolvidos, as receitas provenientes da carga fiscal sobre o sector energético devem ser adequadamente recicladas para apoiar a transição justa e o crescimento de baixo carbono. Nos países em desenvolvimento, esta transição deve ser feita de uma forma inclusiva, sem deixar ninguém para trás.

O acesso à energia continua a ser uma das maiores problemáticas do mundo actual, com mais de 840 milhões de pessoas ainda sem acesso a electricidade, o que as coloca numa situação grave de exclusão. Esse acesso é uma alavanca central para o desenvolvimento à escala global, permitindo uma melhoria da geração de rendimentos, produtividade, saúde, ensino, segurança e igualdade de género. Entre os projectos que temos

desenvolvido, gostaria de destacar o investimento que tem como objectivo apoiar e financiar projectos de energia renovável em comunidades em países em desenvolvimento como é o caso da Solshare, uma startup de blockchain do Bangladesh que desenvolveu solução de peer-to-peer trading de energia solar descentralizada, onde os consumidores com painéis podem vender a produção excedente aos seus vizinhos de forma a contribuir para o desenvolvimento das comunidades rurais subdesenvolvidas.

Outro projecto é a SolarWorks!, uma companhia focada no desenvolvimento de soluções solares descentralizadas em Moçambique, com um modelo pay-as-you-go para utilizadores B2B e B2C sem acesso à rede. São exemplos de um compromisso que eu, enquanto chairman do SEforALL (um spin-off das Nações Unidas para a promoção do acesso global à energia) e a EDP continuaremos a desempenhar com orgulho.

Qual é que acredita que será o papel das grandes utilities no futuro?

O futuro será marcado por tecnologias como inteligência artificial, IoT, realidade aumentada, blockchain e muitas outras que estão a acelerar novas soluções para os consumidores e a redesenhar a relação das utilities com os seus clientes a um ritmo sem precedentes. Esta mudança é também caracterizada pela redução das fronteiras do nosso sector. Hoje já encontramos uma competitividade crescente com a entrada de novos players como Google, Apple, Facebook, Amazon, entre tantas outras, que estão a ampliar o seu espaço de actuação. Vender electricidade per se será uma componente cada vez menor da oferta. É fundamental estar permanentemente a inovar e para isso é crítico desenvolver um ecossistema de inovação aberta para fazer sourcing das melhores ideias e potenciá-las ao invés de as internalizar – é por isso que uma das nossas áreas de intervenção é o investimento em novas empresas que trazem novas ideias e soluções de optimização do sector energético e que impactam a vida das pessoas. Hoje estamos a desenvolver produtos relacionados com áreas tão diversificadas como a mobilidade, armazenamento de energia, VaS, manutenção preditiva ou big data nas redes.

E como definiria o vosso posicionamento na inovação?

A nossa capacidade de antecipar e executar depende da abertura à inovação e à colaboração. Acreditamos que a inovação aberta é a forma mais eficaz de atrair talento e novas soluções que possam contribuir para o desenvolvimento do nosso negócio. Como tal criamos ecossistemas com outros players e com startups para abordar em conjunto os desafios do sector. Um exemplo disso é o Free Electrons, um programa que a EDP fundou com mais 10 utilities e que promove o desenvolvimento de pilotos com startups que operem no sector energético.

Desde 2017 já desenvolvemos 19 projectos-piloto e investimos cerca de 4 milhões de euros em empresas participantes tais como a Aperio Systems (desenvolveu um software de detecção de fraude) ou a Sterblue (criou um software de voo para drones fazerem a inspecção de linhas de distribuição e turbinas eólicas de forma mais eficiente). Também expomos as nossas equipas a ambientes centrados em inovação (é o caso da Web Summit), promovemos experiências imersivas em projectos conjuntos para adquirir know-how fora do nosso universo e estimulamos formas de trabalhar mais ágeis e flexíveis.

Já não há segredos neste sector? 

O segredo já não é a alma do negócio: a partilha de conhecimento é um novo driver onde o factor crítico passa pela forma como juntamos as várias peças. Há quatro pontos chave para continuarmos a acompanhar esta revolução: adquirir know-how rapidamente, promover um ecossistema colaborativo em torno dos nossos desafios, manter a opcionalidade e continuar a incentivar a inovação aberta. Apesar da excelência com que desenvolvemos e entregamos produtos, o next big thing provavelmente não será desenvolvido pelas grandes empresas.

Estamos empenhados na criação de um ecossistema de startups nacionais e internacionais. Também apostamos em parcerias e joint-ventures para garantir maior escala em projectos e um perfil de risco mais adequado – um exemplo disso é a potencial joint-venture com a Engie que nos permitirá crescer de forma acelerada no eólico offshore. Outro caso é o desenvolvimento do projecto Wind- float, em parceria com outras empresas do sector e com a Principle Power, uma startup da Califórnia: começámos com turbinas de 2 MW há cerca de cinco anos e hoje estamos a trabalhar para o seu desenvolvimento à escala global e com maior capacidade.

A oferta tenderá para a estandardização ou para parcerias?

O cliente tem de ser encarado como parceiro, e do lado da oferta as parcerias também são relevantes. À medida que passamos para uma oferta apoiada cada vez mais em serviços deixamos de ter utilizadores de energia e passamos a ter clientes, cada vez mais produtos e serviços costumizados, uma relação de parceria. Há uma exigência crescente para reduções na factura de electricidade através da diminuição da quantidade de energia consumida e também para a produção a partir de fontes renováveis.

Reforço que a EDP dinamizou cerca de 100 milhões de euros em projectos de eficiência energética e cresceu 57% no B2B entre 2017 e 2018. Uma economia mais verde e sustentável é, por isso, uma prioridade que permite um posicionamento diferenciador em alguns clientes B2B que procuram cada vez mais garantir a sustentabilidade dos seus fornecedores. Também a utilização de veículos eléctricos tem vindo a aumentar já que permite reduzir a pegada ecológica e reduzir muito substancialmente os custos de energia – estamos a investir na criação de uma rede de postos de carregamento eléctrico que pretende passar dos actuais 40 para 300 pontos até ao final de 2020. Outro exemplo é a recente parceria com 10 empresas de referência no sector brasileiro da mobilidade, entre as quais três das maiores marcas de automóveis presentes no país: Porsche, Audi e VW. Este será o maior projecto de instalação de carregadores ultra-rápidos da América do Sul, com mais de 2500 km de extensão. As parcerias são o que possibilita tudo isto.

Lamenta o elevado escrutínio sobre a empresa. Custa-lhe que tanto a EDP como a sua presidência estejam sempre a ser questionados?

Sendo uma grande empresa num sector como este, com impacto directo na vida das pessoas, é normal e positivo que a atenção e o escrutínio sejam maiores. Isso não nos assusta, porque somos uma empresa aberta e transparente.

O nosso esforço vai no sentido de partilhar o máximo possível de informação de forma a que todos os nossos stakeholders estejam mais informados sobre o que somos e o que fazemos.

O nosso foco está nas pessoas (temos 11.500 colaboradores de 45 nacionalidades em todo o mundo), por isso encaramos com naturalidade que surjam sempre perspectivas diferentes sobre a nossa actividade – mas isso é bem-vindo. Não somos apologistas de visões únicas ou de actividades fechadas, é precisamente o contrário que nos tem permitido crescer e inovar.

Mas é crítico em relação à forma como o Governo olha para a EDP…

Não sou crítico, aliás, nem tenho falado sobre o assunto. A única coisa que digo: a companhia tem objectivos. O dever da gestão é defender todos os seus stakeholders, incluindo accionistas e colaboradores.

Vivemos um momento, a nível global, decisivo para a humanidade: a próxima década será fulcral no combate às alterações climáticas. E a EDP é uma das companhias líder, a nível mundial, nessa frente. Qual é a companhia portuguesa que, do ponto de vista de mercados internacionais, maior papel tem tido na transição energética nos seus diferentes aspectos? A EDP. Se esse é um dos desafios principais enquanto País e no Mundo, a EDP quer continuar a ter um papel fundamental.

Perante todas estas mudanças e investimentos, como é que explica que a EDP ainda possa ter uma imagem menos positiva junto dos consumidores finais?

Por acaso, acho que a imagem é extremamente positiva. Temos uma liberalização com mais de uma década. Este mercado está totalmente aberto, com cerca de 30 operadores. E a EDP tem, no mercado doméstico, mais de 80% de quota. Além disso, tem havido estudos independentes que apontam a EDP como a marca mais valiosa em Portugal, o que reflecte a sua imagem e reputação. Somos reconhecidos a nível mundial como empresa eléctrica, integrada, mais sustentável – em negócio, ambiente e a nível social. Tudo isto é boa imagem. Ou seja, acredito que conseguimos fazer da companhia líder, contra as expectativas de uma empresa que estivesse baseada num País relativamente pequeno. Tornámo-nos globais a partir de um País pequeno.

Pouco se sabe sobre a dimensão e desempenho da empresa lá fora? A maioria dos portugueses continua a olhar para a EDP apenas e só como a eléctrica portuguesa?

Somos hoje uma grande companhia, um player global em que mais de 65% do nosso EBITDA provém das nossas actividades internacionais, mas obviamente temos raízes portuguesas que não queremos desvalorizar.

Como marca e fornecedora de serviços sempre fomos uma empresa próxima dos consumidores e é normal que nos vejam assim: próxima, familiar, portuguesa e acima de tudo marca de confiança. Mas, dado o nosso crescimento internacional, somos a maior multinacional portuguesa e acredito que os portugueses hoje olhem para a EDP como símbolo português de sucesso, inovação e crescimento. Queremos que os portugueses se orgulhem disso.

*com Titiana Amorim Barroso

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