António Costa e Carlos Costa desistem de processo sobre afastamento de Isabel dos Santos do BIC

Em causa está um livro onde Carlos Costa afirmou ter sido pressionado pelo Governo de António Costa a não retirar Isabel dos Santos do banco BIC.

Executive Digest com Lusa

O ex-primeiro-ministro António Costa e o ex-governador do Banco de Portugal Carlos Costa chegaram a um acordo e desistiram das ações judiciais motivadas por trocas de acusações públicas sobre o afastamento de Isabel dos Santos do banco BIC.

O acordo, avançado pelo Observador e confirmado à Lusa pelo advogado de António Costa no processo, Manuel Magalhães e Silva, foi já comunicado ao tribunal, aguardando-se agora a decisão que vai homologar esse acordo e pôr fim às ações cíveis apresentadas pelos dois intervenientes e cujo início de julgamento chegou a estar marcado para este mês.

A polémica instalou-se depois de Carlos Costa ter publicado em novembro de 2022 o livro “O Governador”, no qual o ex-governador afirmou ter sido pressionado pelo Governo de António Costa para não retirar Isabel dos Santos do banco BIC, acusando o ex-primeiro ministro de intromissão política no processo de retirada de idoneidade à empresária angolana e filha do ex-presidente de Angola José Eduardo dos Santos.

Na apresentação do livro, Carlos Costa disse ainda confirmar que António Costa o “contactou por chamada” para o telemóvel no dia 12 de abril de 2016 à tarde, depois de uma reunião que o antigo governador teve com Isabel dos Santos, com o sócio da empresária angolana Fernando Telles e com o diretor do departamento de supervisão Carlos Albuquerque.

Segundo Carlos Costa, o primeiro-ministro terá comunicado nessa chamada telefónica que “não se pode tratar mal a filha do presidente de um país amigo”.

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“A partir de agora cabe a cada um fazer os seus juízos”, afirmou então o antigo governador e António Costa anunciou que iria processar o ex-governador do Banco de Portugal por ofensa à sua honra.

No dia da apresentação do livro, António Costa insistiu que as declarações proferidas pelo ex-governador são falsas e, depois de o mesmo não se ter “retratado, nem pedido publicamente as desculpas que eram devidas”, constituiu um advogado.

No dia seguinte, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, viria a defender publicamente António Costa das acusações do ex-governador, considerando que as autoridades portuguesas atuaram em nome do interesse nacional no caso que envolveu Isabel dos Santos.

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Depois de em abril de 2023 António Costa ter entregue no Juízo Local Cível de Lisboa uma ação contra Carlos Costa, este último viria a responder, semanas depois, em maio, com uma outra ação cível, exigindo ao ex-primeiro-ministro que se retratasse de “afirmações injuriosas”, tendo chamado como testemunha Marcelo Rebelo de Sousa.

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