António Costa indicou que a Europa precisa de negociar a “nova arquitetura de segurança” com a Rússia: de acordo com o presidente do Conselho Europeu, a UE deve estar envolvida nas negociações com Moscovo no final da guerra na Ucrânia
Recorde-se que o antigo primeiro-ministro português e outros líderes europeus vão reunir-se em Paris para discutir a resposta à decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de iniciar negociações com Vladimir Putin, presidente da Rússia, para colocar um ponto final num conflito que se arrasta há três anos. As negociações vão decorrer na Arábia Saudita.
“Se Trump realmente deseja que os europeus assumam maior responsabilidade pela sua própria segurança, é claro que os europeus precisam de ser o ator principal na criação de uma nova arquitetura de segurança”, apontou António Costa, em entrevista à publicação ‘Financial Times’. “Não se trata apenas de Ucrânia”, salientou. “As negociações sobre a nova arquitetura de segurança precisam de levar em consideração que a Rússia é uma ameaça global, não apenas uma ameaça para a Ucrânia.”
A União Europeia foi ‘surpreendida’ pelas declarações da Administração Trump, em particular do enviado da Ucrânia do presidente americano, Keith Kellogg, que garantiu que a Europa “não se sentaria na mesa das negociações”, mas teriam opiniões que seriam levadas em consideração.
“As negociações estão entre beligerantes”, apontou Costa. “É claro que é necessário negociar entre Ucrânia e Rússia. Mas essa guerra na Ucrânia não é apenas sobre a Ucrânia. É sobre segurança europeia.”
Costa citou a posição agressiva da Rússia em relação aos estados bálticos Estónia, Letónia e Lituânia, que são membros da UE e da NATO, e a ocupação de território nos estados no flanco oriental da UE, como razões pelas quais Bruxelas precisavam fazer parte das negociações. “A Rússia é claramente uma ameaça à soberania do Báltico, à nossa fronteira oriental”, disse. “Eles têm uma presença militar na Moldávia, na Geórgia.”
Mark Rutte, secretário-geral da NATO, já garantiu que se a Europa quiser um papel nas negociações, tem de ficar claro o que pode oferecer. “Se quiser um lugar à mesa, certifique-se de apresentar propostas relevantes. Certifique-se em gastar mais… particularmente quando se trata da Ucrânia.”








