A derrota do exército russo na região de Kharkiv, na Ucrânia, pode ter consequências mais amplas para o Kremlin do que somente ser um ponto de viragem na invasão da Ucrânia – atualmente, diversos ex-países soviéticos parecem testar os limites das capacidades e Moscovo. “O poder da bandeira russa diminuiu consideravelmente e o sistema de segurança em todo o antigo espaço soviético parece ter quebrado”, apontou Laurence Broers, membro associado da Chatham House, em declarações ao jornal britânico ‘The Guardian’.
Esta semana, com a atenção focada no Mar Negro na Ucrânia, os combates na fronteira entre o Azerbaijão e a Arménia mataram cerca de 100 soldados depois de o Azerbaijão ter bombardeado várias cidades na Arménia, com ambos os lados a acusarem-se de “provocações”. Para os analistas, o Azerbaijão decidiu ‘testar as águas’ perante as dificuldades russas na Ucrânia – o Kremlin tradicionalmente apoiou a Arménia na sua disputa territorial com o Azerbaijão.
“O Azerbaijão sente-se bastante confiante neste momento geopolítico, e particularmente agora durante a contra-ofensiva ucraniana”, explicou Tom de Waal, membro sénior da Carnegie Europe. “Parece absolutamente direcionado tanto à Rússia como à Armênia e visa testar o compromisso da Rússia em defender a Arménia.”
A Arménia pediu o apoio militar da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (CSTO), um pacto de defesa mútua dominado pela Rússia, mas Moscovo está relutante em intervir diretamente. “A Rússia está claramente equívoca, tanto porque está sobrecarregada na Ucrânia quanto porque não quer entrar em conflito com o Azerbaijão neste momento”, disse De Waal.
Separadamente, eclodiram na fronteira entre o Quirguistão e o Tajiquistão diversos conflitos na passada 4ª feira, que causaram um morto e cinco feridos, segundo os relatos locais. Embora este incidente não esteja diretamente relacionado com a guerra na Ucrânia, e embora a Rússia tenha tradicionalmente boas relações com os dois países, os analistas garantiram que a invasão russa mudou completamente o equilíbrio de poder na região.
“Estamos a ver o colapso da reputação da Rússia como patrono da segurança, o que está a acontecer tanto no nível materal com a concentração maciça de forças na Ucrânia mas também a nível subjetivo da reputação das garantias de segurança russas”, alertou Broers.
O Cazaquistão, tradicionalmente um aliado próximo, enfureceu Moscovo ao tentar permanecer neutro sobre o conflito na Ucrânia, recusando-se a reconhecer os territórios controlados pela Rússia no leste da Ucrânia e prometendo não ajudar os esforços da Rússia para contornar as sanções internacionais. O Cazaquistão permanece cauteloso com as ameaças de longo prazo do seu vizinho maior e suposto aliado, há outros prontos para intervir e preencher a lacuna. Na passada quarta-feira, o presidente chinês, Xi Jinping, chegou ao Cazaquistão e foi lapidar. “Continuaremos a apoiar resolutamente o Cazaquistão na proteção da sua independência, soberania e integridade territorial”, disse, numa declaração que foi entendida como uma repreensão ao Kremlin.







