A ANSR, a GNR e a PSP arrancam hoje – e até dia 27 – com uma nova campanha de segurança rodoviária dedicada aos utilizadores mais vulneráveis da estrada, num momento em que peões, ciclistas e utilizadores de trotinetas elétricas ganham cada vez mais peso na mobilidade urbana.
Sob o lema “Na estrada, todos somos vulneráveis”, esta é a quarta campanha do Plano Nacional de Fiscalização de 2026 e a primeira centrada especificamente nestes utilizadores. A iniciativa pretende alertar para comportamentos de risco que continuam a estar associados a acidentes graves, sobretudo dentro das localidades e em estradas secundárias.
A campanha conjuga ações de sensibilização, asseguradas pela ANSR, com operações de fiscalização da GNR e da PSP, incidindo em zonas com maior circulação de utilizadores vulneráveis, como passadeiras, cruzamentos, ciclovias e áreas de tráfego misto.
Entre os principais comportamentos de risco identificados estão, no caso dos peões, a travessia fora das passadeiras, o desrespeito pela sinalização luminosa, a circulação fora dos espaços destinados a peões e as distrações provocadas pelo uso de telemóvel ou auscultadores. Já entre os utilizadores de velocípedes e dispositivos de mobilidade pessoal, destacam-se a circulação em contramão, o incumprimento de sinais e prioridades, a utilização indevida dos passeios, a falta de sinalização de manobras e a ausência de elementos de visibilidade.
Do lado dos condutores, a campanha chama a atenção para comportamentos como a não cedência de passagem a peões e velocípedes nos locais em que têm prioridade, o excesso de velocidade em meio urbano, as ultrapassagens sem distância de segurança, a falta de atenção em zonas escolares e passadeiras, bem como manobras feitas sem verificação de ângulos mortos ou abertura de portas sem a devida precaução.
Os números ajudam a perceber a dimensão do problema. Entre 2022 e 2024, cerca de 25 mil utilizadores vulneráveis, entre peões e velocípedes, estiveram envolvidos em acidentes com vítimas. Desses acidentes resultaram 421 mortos e 1.626 feridos graves, o que representa mais de um quinto da sinistralidade grave registada.
No caso dos peões, foram contabilizadas 327 vítimas mortais e 1.126 feridos graves. Já entre os utilizadores de velocípedes, registaram-se 94 mortos e 500 feridos graves.
A maioria destes acidentes acontece em meio urbano. Segundo os dados divulgados, 73,5% dos acidentes graves com peões e 60,5% dos que envolvem ciclistas ocorrem dentro das localidades e em estradas secundárias, muitas vezes nas imediações de passadeiras, cruzamentos e zonas de tráfego misto.
À semelhança das restantes campanhas do Plano Nacional de Fiscalização de 2026, esta ação volta a combinar duas frentes complementares: sensibilização, dirigida aos utilizadores mais expostos, e fiscalização, focada nos comportamentos que estão na origem de acidentes graves.
Desenvolvido anualmente pela ANSR em articulação com a GNR e a PSP, o Plano Nacional de Fiscalização segue as recomendações europeias e enquadra-se na estratégia Visão Zero 2030, que tem como meta eliminar vítimas mortais nas estradas.
A mensagem central da campanha é clara: a sinistralidade rodoviária não é inevitável e as consequências mais graves podem ser evitadas quando todos adotam comportamentos mais seguros na estrada.
A minha escolha de título é esta: “Na estrada, todos somos vulneráveis”: nova campanha põe foco em peões, bicicletas e trotinetas.
Gosto mais deste porque aproveita o lema da campanha, dá-lhe força e humaniza logo o tema, ao mesmo tempo que identifica com clareza os públicos-alvo. Fica equilibrado entre impacto, serviço público e legibilidade.












