Ângela Ferreira estava a tentar engravidar desde 2019. Agora, conseguiu. A história desta mulher podia ser como a de tantas outras, mas acontece que Ângela queria engravidar do marido, que morreu de cancro em 2019, e à sua frente tinha, para além do preconceito, uma batalha legal que travava o sonho que o casal sempre havia tido.
O caso de Ângela veio trazer para a discussão pública o tema da inseminação pós-morte, levou a um movimento pela legalização deste processo, que chegou à Assembleia da República.
Tudo começou em 2019, altura em que Hugo, marido de Ângela, morreu vítima de cancro. Poucas horas antes o casal tinha trocado juras de amor e casado e reforçaram o que já haviam discutido anteriormente: a vontade de que Ângela usasse sémen de Hugo criopreservado para engravidar, de forma que conseguissem cumprir o sonho que o cancro lhes roubou, ter um filho juntos.
O processo não era permitido em Portugal, mas após a divulgação do caso, numa série de reportagens da TVI, uma onda solidária juntou-se numa petição para que a inseminação pós-morte fosse legalizada.
A petição chegou à Assembleia da República, para que o processo fosse permitido nos casos em que o marido falecido tenha deixado o desejo expresso por escrito. Depois de discussão em Comissão de Saúde, acabou aprovada. Mais um obstáculo, dos muitos que se foram colocando no caminho de Ângela nos últimos anos: o veto do Presidente da República.
O diploma acabou devolvido ao Parlamento, revisto, e depois viu promulgação do Presidente da República.
Só no ano passado, em novembro, é que entrou em vigor a nova lei da procriação medicamente assistida que já prevê a ‘inseminação post mortem’ (inseminação após a morte).
Ângela imediatamente começou a dar andamento ao processo de inseminação e, agora, nas redes sociais revelou que está grávida do marido, Hugo.
“Hoje finalmente partilho com todos vocês a tão desejada notícia! Foram anos de luta para aqui chegar, o processo foi longo e doloroso… mas finalmente conseguimos! É com uma alegria enorme e com o coração cheio que hoje partilho que agora batem dois corações dentro de mim”, escreve a mulher num texto que acompanha um vídeo que resume o processo moroso e difícil que a levou a cumprir o sonho, o seu e o do marido.
Ângela agradece as mensagens de “apoio” e “carinho”, e mostra-se confiante e feliz na nova fase e na nova vida que agora começa.
Todo o processo de inseminação, já após a lei entrar em vigor, será relatado numa reportagem da TVI, transmitida esta noite.












