Anéis misteriosos no mar intrigam cientistas. E podem ser mensagens “de outra inteligência”

Investigadores da Universidade da Califórnia e do SETI Institute — entidade internacionalmente reconhecida pela sua investigação na busca de inteligência extraterrestre e fenómenos inexplicáveis na Terra — divulgaram esta semana um estudo que lança nova luz sobre o enigmático aparecimento de anéis perfeitos em várias zonas dos oceanos Atlântico e Pacífico.

Pedro Gonçalves
Junho 24, 2025
14:04

Investigadores da Universidade da Califórnia e do SETI Institute — entidade internacionalmente reconhecida pela sua investigação na busca de inteligência extraterrestre e fenómenos inexplicáveis na Terra — divulgaram esta semana um estudo que lança nova luz sobre o enigmático aparecimento de anéis perfeitos em várias zonas dos oceanos Atlântico e Pacífico.

Após anos de análise de imagens e observações, a equipa científica acredita ter desvendado o enigma por detrás destes círculos de bolhas subaquáticas: em pelo menos doze episódios documentados, baleias-jubarte foram responsáveis pela criação de quase 40 destes anéis perfeitos, momentos antes ou depois de se aproximarem de embarcações humanas.

O estudo, agora publicado na revista especializada Marine Mammal Science, aponta para um comportamento intencional por parte destes cetáceos. “Em nove dos doze casos registados, foram as próprias baleias que se dirigiram às embarcações e formaram os anéis de bolhas aparentemente para as pessoas a bordo”, explicam os autores do estudo.

Embora o fenómeno destes círculos não seja novo para os especialistas, a investigação ganhou novo fôlego após a redescoberta de um vídeo de 1988, no qual uma baleia-jubarte foi filmada a criar diversos anéis de bolhas ao longo de dez minutos. Este registo visual antigo motivou os investigadores a procurar padrões e respostas que até agora permaneciam por encontrar.

“Sentimo-nos como se estivéssemos perante algo que ainda não compreendemos completamente. É desconcertante, como receber um sinal de outra inteligência”, admite o biólogo marinho Fred Sharpe, um dos investigadores envolvidos no projecto.

Apesar de existirem hipóteses de que este comportamento poderá ser apenas uma forma lúdica das baleias interagirem na presença de humanos, muitos especialistas não excluem a possibilidade de estarmos perante o desenvolvimento de uma nova forma de comunicação não verbal por parte destes mamíferos marinhos.

“É como se, em vez de vocalizarem palavras, usassem o espiráculo para lançar símbolos na água”, descreve Fred Sharpe, referindo-se ao orifício respiratório no topo da cabeça das baleias.

Por enquanto, os cientistas defendem cautela e sublinham a necessidade de recolher mais casos e dados antes de avançar com qualquer conclusão definitiva. “Há uma certa intencionalidade por detrás destes anéis, mas ainda precisamos de reunir mais informação e comparar registos semelhantes para compreender o verdadeiro significado deste comportamento”, reforçam os autores do estudo.

O fenómeno, que tem gerado fascínio e curiosidade tanto na comunidade científica como no público em geral, poderá assim ajudar a aprofundar o conhecimento sobre as capacidades cognitivas e os padrões de comunicação das baleias-jubarte — uma espécie que continua a surpreender os biólogos marinhos com comportamentos complexos e sofisticados.

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