Anafre contra atribuição do Fundo de Financiamento de Freguesias ao município do Corvo

A Associação Nacional de Freguesias (Anafre) deu parecer negativo a uma proposta legislativa que pretende atribuir ao município do Corvo, nos Açores, uma verba do Fundo de Financiamento de Freguesias, que desempenha competências de freguesia neste território açoriano.

Executive Digest com Lusa

A Associação Nacional de Freguesias (Anafre) deu parecer negativo a uma proposta legislativa que pretende atribuir ao município do Corvo, nos Açores, uma verba do Fundo de Financiamento de Freguesias, que desempenha competências de freguesia neste território açoriano.


O Corvo, nos Açores, é o único município português sem Junta de Freguesia, sendo as competências desta assumidas pelo município. Uma Proposta de Lei da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores para alterar o regime financeiro das autarquias locais açorianas, em discussão na especialidade no parlamento nacional, defende que o município do Corvo deve receber o que caberia à junta através do Fundo de Financiamento de Freguesias (FFF).


“Quando todos os municípios do país e os autarcas reclamam, e muito bem, que a atribuição de competências deve vir sempre acompanhada do respetivo envelope financeiro, aqui é exatamente disto a que se trata. O município do Corvo tem, de facto, vindo a desempenhar competências genéricas das freguesias sem que para isto lhe seja atribuído o respetivo envelope financeiro”, explicou hoje no parlamento, em Lisboa, a coordenadora do GT para alteração da LFL açoriana, a deputada do PSD/Açores Sabrina Furtado.


A Anafre, também ouvida hoje, revelou ter dado um parecer negativo a esta solução para o Corvo, não por causa da verba em si, mas “por uma questão de princípio”.


“Aquilo que está em causa é uma proposta para o município ser financiado pelo FFF, que é um fundo de financiamento que existe para financiar matérias específicas das freguesias”, sublinhou o presidente da Associação, Francisco Branco de Brito, salientando que o município do Corvo não tem órgãos de freguesia e não tem “um conjunto de despesas que teria se existisse a freguesia”.

Continue a ler após a publicidade

Segundo Francisco Branco de Brito, se o FFF fosse calculado de acordo com o modelo em vigor, o Corvo receberia “entre os 50 e os 100 mil euros” para pouco mais de 400 habitantes, pelo que não é a verba que está em causa.


Reconhecendo ao Corvo “questões muito concretas que têm a ver com a insularidade” e que precisam de ser analisadas devido à “particularidade que elas têm”, Francisco de Brito sublinhou que o sub-financiamento é comum a muitas autarquias e alertou que a solução encontrada “abriria um precedente que depois levaria outros municípios ou outras freguesias a pedir regimes específicos”.


“A verdade é que ninguém ganhará com este princípio. (…) Defendemos que deve existir um modelo que deve ser aplicado às diferentes realidades do país, com critérios, nomeadamente, o envelhecimento populacional, a dispersão, a quantidade e a dispersão de localidades que cada freguesia tem. (…) E, acima de tudo, precisamos de aumentar o financiamento das freguesias. Esse é o problema central”, considerou, destacando que atualmente também a lei das finanças locais de âmbito nacional está a ser revista.

Continue a ler após a publicidade

Segundo o responsável da Anafre, deveria ser realizada uma discussão sobre a criação de uma freguesia no Corvo.


“Se calhar, a população ganharia em ter uma freguesia. E, se calhar, aí, então, estes problemas que são elencados pelo município do Corvo ficariam sanados”, defendeu.


O parlamentou ouviu também o professor catedrático jubilado Eduardo Paz Ferreira, que afirmou que atribuir ao município do Corvo uma verba para desempenhar competências de freguesia que desempenha de facto “é um direito” e salientou que a solução através do Orçamento do Estado seria menos onerosa, mais rápida, mais simples e mais eficaz.


Eduardo Paz Ferreira considerou que, “apesar deste deficit de recebimento que tem tido”, o município do Corvo “tem feito uma obra notável”.


“Ao atribuir à Câmara as funções da freguesia, acho que a base fica salvaguardada por aqui. Também se pode considerar: Vamos fazer uma freguesia? É uma possibilidade. Mas é uma possibilidade que, pelos números que aqui temos visto, o número de habitantes e tal, parece excessiva”, considerou.

Continue a ler após a publicidade

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.