Ana Paula Martins tentou travar vacinação de crianças em 2021 contra a Covid-19: já como ministra, viu a DGS recuar

Nesse documento, enviado à então diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, defendia-se que os potenciais efeitos adversos poderiam superar os benefícios no caso de crianças sem doenças de risco

Revista de Imprensa

A atual ministra da Saúde, Ana Paula Martins, tentou impedir a vacinação em massa de crianças saudáveis contra a Covid-19 em 2021, quando ainda liderava a Ordem dos Farmacêuticos. A informação é avançada pelo jornal ‘SOL’, que alertava para riscos e incertezas associados às vacinas na população pediátrica.

Nesse documento, enviado à então diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, defendia-se que os potenciais efeitos adversos poderiam superar os benefícios no caso de crianças sem doenças de risco.

Vacinação avançou apesar dos alertas

A Direção-Geral da Saúde seguiu, na altura, outros pareceres técnicos e decidiu avançar com a vacinação universal a partir dos 12 anos, em agosto de 2021. Meses depois, a campanha foi alargada a crianças a partir dos quatro anos.

Durante o primeiro ano de vacinação pediátrica, foram reportadas ao sistema de farmacovigilância 177 situações consideradas graves em crianças. Especialistas ouvidos pelo ‘SOL’ admitem que possam ter existido efeitos secundários severos, sublinhando a necessidade de maior investigação.

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Mudança de rumo três anos depois

A posição da DGS viria, no entanto, a alterar-se em 2024. Já com Ana Paula Martins como ministra da Saúde, a autoridade de saúde recuou na recomendação de vacinação universal em idade pediátrica.

Desde então, a vacinação passou a ser restrita a crianças com doenças graves ou sistemas imunitários fragilizados, ficando dependente de prescrição médica.

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Contratos e dúvidas sob escrutínio

Entretanto, vieram também a público contratos assinados pela antiga direção da DGS com a indústria farmacêutica, nos quais era admitida a possibilidade de efeitos adversos ainda desconhecidos das vacinas.

O tema deverá agora ganhar dimensão política. O Parlamento vai ouvir a atual e a anterior diretora-geral da Saúde, bem como as ministras da Saúde em funções e anteriores, para esclarecer decisões tomadas durante a pandemia.

Em causa estarão questões como transparência contratual, comunicação do risco e eventual responsabilidade do Estado.

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