Apesar do apelo lançado ontem pelo ex-líder parlamentar do PS e eurodeputado Francisco Assis, Ana Gomes não equaciona uma candidatura a Belém nas próximas eleições presidenciais de 2021 ou a outros cargos políticos. A ex-eurodeputada disse, em entrevista à “RTP”, que está concentrada no combate à corrupção e que quer ter «liberdade» para denunciar os corruptos, sem estar «constrangida».
«É mais importante eu ter hoje a liberdade de dizer o que digo, de forma sustentada, e eu não trabalho sozinha. Há muita gente de dentro das instituições competente, revoltada por estar manietada, que me alimenta, que me dá informação. Eu acho que é mais útil eu fazer isso. Eu não me quero ver constrangida, designadamente pelos constrangimentos institucionais que qualquer cargo político, incluindo Presidente da República, impõe», afirmou.
Ana Gomes, que tirou uma licença sem vencimento no Ministério dos Negócios Estrangeiros, garantiu que «António Costa jamais o permitirá», até porque é o Partido Socialista que «tem a obrigação» de apresentar um candidato a Belém e «há muitas pessoas que podem ser esse candidato». «Não estou disponível para me coarctar da liberdade que é hoje essencial para a minha capacidade de intervenção cívica», insistiu.
A antiga eurodeputada não tem «dúvida nenhuma de que o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa vai recandidatar-se e vai ser eleito».
Luanda Leaks expôs Portugal como uma «lavandaria»
Questionada sobre as revelações do «Luanda Leaks» e da constituição de Isabel dos Santos como arguida em Angola, defendeu que o antigo ministro das Finanças Teixeira dos Santos deve abandonar a liderança do EuroBic, banco do qual saíram milhões de euros da Sonangol para o Dubai.
Ana Gomes lamentou ainda que, apesar dos seus alertas, não tenham existido «consequências dos muitos ‘leaks’ que existiram». Contudo, está «convencida que agora o Luanda Leaks vai ter consequências, quer queiram quer não queiram» e que Portugal está «exposto para o mundo inteiro como uma lavandaria».
Recorde-se que o diferendo entre Ana Gomes e Isabel dos Santos remonta a Outubro do ano passado. No Twitter, a antiga eurodeputada escreveu que a empresária «lava que se farta» e acusou o Banco de Portugal de fechar os olhos. A declaração de Ana Gomes surgia na sequência de uma entrevista da empresária angolana à “Lusa”, na qual Isabel dos Santos afirmou que há uma «narrativa negativa» sobre si no que diz respeito à origem dos seus investimentos, alegando que se tem endividado, para poder investir, sem recorrer ao erário público angolano. «Tenho muitas dívidas, tenho muito financiamento por pagar, as taxas de juros são elevadas, nem sempre é fácil também ter essa sustentabilidade do negócio, para conseguir enfrentar toda a parte financeira dos negócios», referiu.
Num outro tweet, a socialista assegurou que o Eurobic é o canal através do qual Isabel dos Santos faz circular o dinheiro, com o objectivo de lhe conferir uma aparente legalidade.




