Amnistia Internacional pede ação do Congresso dos EUA perante possível fim do aborto

A Amnistia Internacional (AI) norte-americana apela ao Congresso dos Estados Unidos para que atue no sentido de impedir a proibição do aborto no país, que considera uma “violação grotesca dos direitos humanos”.

Executive Digest com Lusa

A Amnistia Internacional (AI) norte-americana apela ao Congresso dos Estados Unidos para que atue no sentido de impedir a proibição do aborto no país, que considera uma “violação grotesca dos direitos humanos”.

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“Forçar alguém a manter uma gravidez, por qualquer motivo, é uma violação grotesca dos direitos humanos, e a Amnistia Internacional dos Estados Unidos da América (EUA) continua fervorosa nos seus apelos ao Governo para proteger o direito ao aborto. Menos do que isso é um falhanço em defender os direitos humanos”, disse à Lusa Tarah Demant, diretora nacional interina de Programas, Advocacia e Assuntos Governamentais da AI EUA.

Em causa está a possibilidade de o Supremo Tribunal dos Estados Unidos revogar o direito ao aborto, após o jornal norte-americano Politico noticiar na segunda-feira que a mais alta instância do poder judiciário norte-americano se prepara para anular a decisão histórica de 1973 que reconheceu o direito ao aborto.

Embora seja um projeto de acórdão e, portanto, não constitua uma decisão final, o texto indica que a maioria dos juízes do Supremo está empenhada em acabar com a jurisprudência do precedente ‘Roe v. Wade’, o que torna esse cenário muito mais realista quando uma decisão final for publicada em meados de junho.

‘Roe v. Wade’ é uma decisão que protege como constitucional o direito das mulheres ao aborto, impedindo que os estados que integram os EUA proíbam essa prática.

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Antes da sentença, em 1973, 30 estados dos 50 que compõem os Estados Unidos tinham leis que proibiam o aborto em qualquer momento da gravidez.

A AI, uma das mais importantes organizações não-governamentais (ONG) de defesa direitos humanos a nível global, ressalta que se esta decisão for oficializada, não haverá qualquer tipo de proteção federal para o aborto nos Estados Unidos, ficando inteiramente a cargo dos estados regular o direito e o acesso ao aborto.

“O aborto será automaticamente proibido em 14 estados, com outros 12 seguindo-se logo atrás. Vários estados colocaram em vigor proibições severas antecipando a decisão do Supremo Tribunal”, disse Tarah Demant, referindo que os estados mais conservadores, no sul e centro do país, serão os mais afetados.

“Restringir o aborto legal não acaba com o aborto – apenas força as grávidas a procurarem abortos inseguros, violando os seus direitos e aumentando a mortalidade e morbidade materna”, adiantou.

Para tentar travar o projeto de decisão do Supremo Tribunal que anularia esse direito, conquistado em 1973, a maioria democrata no Senado anunciou que vai forçar uma votação simbólica sobre o aborto.

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O líder dos democratas no Senado, Chuck Schumer, prometeu durante uma intervenção na câmara alta do Congresso levar a votação a lei sobre o aborto, apesar de não ter maioria suficiente para conduzi-la adiante, tratando-se apenas de um esforço puramente simbólico.

Tendo em conta que uma versão semelhante do projeto foi votada em fevereiro e falhou, a Amnistia Internacional pede que os cidadãos exijam uma maior ação do Congresso norte-americano.

“Agora é a hora de os indivíduos entrarem em contacto com os legisladores estaduais para proteger o direito ao aborto a nível estadual – estados como Nova Iorque, Connecticut e Colorado já tomaram medidas para proteger o acesso ao aborto. Mas as pessoas também devem exigir proteção a nível federal e devem contactar os seus senadores e representantes a exigir uma ação através do Congresso”, concluiu Tarah Demant, em declarações à Lusa.

Para a ONG, não há dúvidas de que as pessoas mais afetadas por esta decisão serão grupos já marginalizados, que incluem minorias raciais, pessoas de baixos rendimentos e cidadãos transgénero, que já enfrentam barreiras no acesso aos cuidados de saúde e muitas vezes não têm meios para procurar serviços seguros e legais em outros lugares.

“A única pessoa que deveria tomar decisões sobre uma gravidez é a pessoa grávida, ponto final”, frisou Tarah Demant.

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“Qualquer retrocesso na proteção do direito ao aborto envia uma mensagem angustiante de que outros Governos e grupos anti-direitos podem negar os direitos de mulheres, meninas e outras pessoas que podem engravidar, restringindo os direitos ao aborto, saúde, autonomia corporal, entre outros”, adiantou.

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