«Carlos Santos Silva deu-lhe 200 mil euros para o cofre. Mas, se pensarmos bem, não é muito dinheiro tendo em conta a actividade empresarial do engenheiro Carlos Santos Silva», afirmou a advogada do arguido Gonçalo Trindade Ferreira, que adiantou que o dinheiro, depositado num cofre em nome do seu cliente, servia para pagar despesas do empresário da Covilhã, citada pelo “Correio da Manhã” (CM).
Trindade Ferreira trabalhava para Carlos Santos Silva, amigo de José Sócrates e seu alegado testa de ferro. O Ministério Público (MP) diz que o advogado também participou no plano de ocultação de fundos do ex-governante.
Em frente ao juiz Ivo Rosa, no debate instrutório da “Operação Marquês”, a defesa de Trindade Ferreira defendeu que «o arguido não achou estranho esse pedido». «Carlos Santos Silva nunca lhe pediu para alugar um cofre, apenas lhe pediu para guardar o dinheiro», realçou a advogada Ana Marques.
Os 200 mil euros acabaram por ser apreendidos pela PJ nas buscas e o MP acredita que o uso de cofres servia para evitar as transferências de dinheiro, que deixam um rasto contabilístico.
O “CM” recorda que Gonçalo Trindade foi também quem tratou da compra das casas à mãe de Sócrates, por parte de Santos Silva, e quem tratou do arrendamento da casa de Paris, cujo dono, acredita a acusação, é o próprio Sócrates. «Não lhe cabia indicar se o inquilino pagava ou não a renda», acrescentou a defesa do advogado, acusado de branqueamento de capitais e falsificação.
No último interrogatório, Carlos Santos Silva admitiu que o dinheiro guardado no cofre servia afinal para facilitar negócios no estrangeiro.
O debate instrutório continua esta terça-feira, 11 de Março. A sessão começa com as alegações do advogado José António Barreiros, defensor de Zeinal Bava, antigo presidente-executivo da PT e da brasileira OI, que é acusado de ter sido corrompido pelo ex-presidente do Banco Espírito Santo Ricardo Salgado.













